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Porta-vozes econômicos dos candidatos divergem sobre reajuste das aposentadorias

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setembro 16, 2026
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Porta-vozes econômicos dos candidatos divergem sobre reajuste das aposentadorias


Para reduzir os gastos do governo federal, representantes econômicos dos candidatos de oposição que pleiteiam a cadeira do Palácio do Planalto afirmam apoiar a proposta que desvincula benefícios previdenciários do salário mínimo. O tema visa separar o reajuste das aposentadorias do piso nacional para reduzir as despesas do executivo. Na regra atual, o valor mínimo das aposentadorias do INSS acompanha o mesmo reajuste dado ao salário mínimo nacional.

As posições foram apresentadas no debate promovido pela CBN, O Globo e Valor com os porta-vozes econômicos dos principais candidatos à Presidência.

Durante a conversa, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o tema não está em discussão. Do outro lado, o representante de Renan Santos, do Missão, defendeu a medida. Carlos da Costa, porta-voz de Romeu Zema, do Novo, apontou a desvinculação como uma alternativa para diminuir o déficit previdenciário.

Luiz Carlos Hauly, de Augusto Cury, do Avante, apontou a arrecadação como o principal problema da Previdência, enquanto Roberto Brant, de Ronaldo Caiado, do PSD, também criticou o tema. A campanha do candidato Flávio Bolsonaro foi convidada, mas não enviou um porta-voz para participar do diálogo.

Durigan pontuou que o governo fez um ajuste na política de valorização do salário mínimo para torná-lo compatível com o arcabouço fiscal:

“Veja, nós não estamos discutindo desvincular o salário mínimo da previdência, esse não está em discussão. Então o Brasil, por exemplo, diferente da Argentina, que outros candidatos têm defendido a política do Milei, o salário mínimo perdeu 40% do poder de compra na gestão do Milei. Na nossa gestão, o salário mínimo voltou a crescer, ganho real das famílias também em recorde histórico. Então a gente procura fazer essa acomodação, como já fizemos, mas sem discutir hoje desvinculação com o benefí- com os benefícios previdenciários”, disse.

Hauly apontou para outro diagnóstico. Para ele, o problema é de arrecadação. O representante de Cury defendeu deslocar a tributação da folha de salários para a Contribuição sobre Bens e Serviços:

“Crescendo a economia, destravando, que essa é a proposta, destravar o Brasil, você vai ter um ambiente econômico para a micro e pequena empresa. Vai ter dinheiro para garantir aumentos reais para todo mundo”, afirmou.

Carlos da Costa, porta-voz de Zema, afirmou que o Brasil terá de fazer uma nova reforma da Previdência. Contudo, ele avaliou que o debate sobre a desvinculação do salário mínimo ainda não está maduro.

Em nome de Renan Santos, Kim Kataguiri defendeu separar a política aplicada ao salário mínimo dos trabalhadores da iniciativa privada daquela adotada para os benefícios previdenciários:

“Nós defendemos a desindexação dos benefícios previdenciários em relação ao salário mínimo e a desvinculação da receita corrente líquida do piso da educação e da receita de impostos do piso da saúde, porque sem isso a gente vai, eh, atropelar, esmagar qualquer capacidade de investimento que o Estado brasileiro tenha. A nossa candidatura não tem nenhum receio de tratar desse assunto. Se nós não fizermos isso, antes mesmo do próximo Presidente da República assumir, pela primeira vez o Brasil vai viver o cenário de shutdown”, completou.

Roberto Brant, que representa Ronaldo Caiado, criticou a vinculação dos benefícios ao mínimo. Mas, ressaltou que recebeu críticas do ex-governador de Goiás sobre o assunto:

“O ganho de produtividade não pode ser transmitido para o pessoal que não tá mais na ativa. Qualquer ajuste fiscal terá de mexer nas despesas obrigatórias”, pontuou.

Durante o debate, os porta-vozes também conversaram sobre os juros e a meta de inflação. Todos os coordenadores econômicos concordaram que a redução da Selic é necessária e depende de um ajuste fiscal sólido. No entanto, eles divergiram quanto aos instrumentos para alcançar essa queda e sobre a flexibilização da meta de inflação.



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