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Pseudomonas aeruginosa: entenda por que bactéria preocupa a Anvisa e quais são os riscos à saúde

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junho 6, 2026
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Pseudomonas aeruginosa: entenda por que bactéria preocupa a Anvisa e quais são os riscos à saúde


Menos de um mês após motivar o recolhimento de lotes de detergentes e sabões da marca Ypê, a bactéria Pseudomonas aeruginosa voltou a ser alvo de alerta sanitário. Desta vez, a identificação do micro-organismo em um lote de água mineral da marca Crystal levou ao recolhimento voluntário de milhares de garrafas distribuídas no Distrito Federal, em Goiás, Tocantins e no interior de São Paulo.

Em entrevista a Guilherme Muniz, no Show da Notícia, a infectologista Rosana Richtmann, do Hospital Emílio Ribas e do Grupo Santa Joana, explicou por que a bactéria é conhecida pela alta resistência e quais são os riscos reais para a população.

O que é a Pseudomonas aeruginosa?

Segundo a especialista, a bactéria é encontrada naturalmente no meio ambiente e tem preferência por locais úmidos. Apesar da fama nos hospitais, a médica ressalta que a presença da bactéria não costuma representar um grande risco para pessoas saudáveis.

“Ela não causa doença de uma maneira geral em pessoas saudáveis”, ressalta.

O cenário muda quando o micro-organismo atinge pacientes internados, especialmente aqueles em unidades de terapia intensiva, utilizando cateteres ou aparelhos respiratórios. “Nesta situação ela pode levar a infecções muito graves e inclusive à morte“, pondera.

Por que a bactéria é tão temida nos hospitais?

A Pseudomonas aeruginosa é conhecida por sua capacidade de desenvolver resistência a diversos antibióticos, o que dificulta o tratamento de infecções. Por isso, ela costuma ser monitorada com atenção em ambientes hospitalares, onde encontra pacientes mais vulneráveis e condições favoráveis para provocar quadros graves.

A infectologista destaca que o contexto hospitalar é muito diferente dos casos recentes envolvendo produtos de consumo. “Uma coisa é o cenário da Pseudomonas na comunidade. Outra coisa é o cenário da mesma bactéria com pacientes mais vulneráveis em ambientes hospitalares“, afirma.

Se o risco é baixo, por que a água foi recolhida?

Embora a bactéria não costume causar doenças graves em pessoas saudáveis, sua presença em produtos destinados ao consumo humano é considerada uma falha importante.

Água mineral Crystal — Foto: Divulgação/Anvisa

A infectologista afirma que a contaminação indica que algo não funcionou adequadamente durante a produção ou o controle de qualidade. Por isso, o recolhimento dos produtos é considerado uma medida necessária, mesmo sem indícios de risco elevado à população.

“Essa bactéria não é para estar dentro de uma garrafa de água e nem dentro de uma embalagem de detergente”, alerta.

Quais sintomas podem aparecer após o consumo?

De acordo com a médica, uma eventual infecção relacionada ao consumo da água contaminada tenderia a provocar sintomas gastrointestinais em um curto período de tempo. Os sinais mais prováveis seriam:

  • Diarreia;
  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Desconforto gastrointestinal.

Ainda assim, ela ressalta que a ingestão não é a principal forma de infecção da bactéria.

Para quem consumiu a água e não apresentou sintomas nas horas ou dias seguintes, a orientação é não entrar em pânico. “Alguém que tomou esta água e está bem hoje, não teve nenhum quadro clínico, na minha opinião, é só observar e vamos em frente“, diz.

Dá para perceber se a água está contaminada?

Na maioria dos casos, não. A especilista explica que alterações visíveis, como mudança de cor ou odor, só costumam ocorrer quando há uma quantidade muito elevada de bactérias.

Por isso, mesmo que a água pareça normal, a recomendação é não consumir produtos pertencentes ao lote afetado.

Por que não se deve jogar a água contaminada no ralo?

A orientação das autoridades sanitárias é devolver as embalagens para recolhimento adequado. Segundo a infectologista, descartar o conteúdo na pia ou no esgoto pode contribuir para a disseminação da bactéria no ambiente.

“Você pode começar a ter uma contaminação dessa rede e eventualmente ter uma quantidade maior dessa bactéria na nossa rede de esgoto”, alerta.

Os casos da água e do detergente têm relação?

Provavelmente não. Embora a mesma bactéria tenha sido identificada em produtos diferentes, Rosana considera improvável que as duas contaminações tenham a mesma origem. Segundo ela, seriam necessários exames genéticos específicos para confirmar qualquer ligação entre os casos.



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