fevereiro 12, 2026

Sócios da academia onde mulher morreu intoxicada tentaram manipular investigação, diz polícia


Os três sócios da academia C4 Gym foram apontados pela Polícia Civil como responsáveis por tentar manipular e dificultar as investigações sobre a intoxicação por gás tóxico durante uma aula de natação na Zona Leste de São Paulo.

Por esse motivo, a polícia pediu a prisão temporária de Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração. A Justiça ainda não se manifestou sobre o pedido.

Pichações na Academia C4 Gym, onde mulher morreu após entrar na piscina — Foto: Klauson Dutra/CBN

Os três foram indiciados por homicídio com dolo eventual, quando há a aceitação do risco de matar. A investigação indica que os sócios mantiveram práticas irregulares na manutenção da piscina, mesmo cientes dos riscos à saúde dos alunos

De acordo com os investigadores, desde o início houve resistência em colaborar, com ausência injustificada em convocações informais, atraso no comparecimento à delegacia e não apresentação de documentos essenciais ao inquérito. Entre os documentos que não foram entregues estão o livro obrigatório de controle de cloro e pH da piscina e a lista de alunos que participaram da aula no dia do ocorrido.

Tentativa de interferência em depoimento

A polícia também afirma que os sócios tentaram interferir no depoimento do manobrista Severino Silva, de 43 anos, que aparece em imagens de câmeras de segurança realizando a mistura de produtos químicos com cloro.

Em depoimento, Severino afirmou que recebia orientações por WhatsApp de Celso Bertolo Cruz sobre a manutenção da piscina, e que o sócio teria apagado mensagens com instruções sobre os procedimentos adotados.

Celso Bertolo Cruz confirmou à Polícia Civil que apagou as mensagens, alegando que o conteúdo se referia apenas a medições e dosagens de cloro, sem orientações irregulares. Ele também alegou que profissional habilitado para manutenção de piscinas, com certificado desde 2023, mas ainda não apresentou documentação que comprove a formação.

O investigador Rodrigo Rezende disse que esse conjunto de elementos fundamenta o pedido de prisão temporária, para evitar interferências na apuração: “todos esses elementos, somados aos fatos constatados a partir do aparelho celular de Severino, que foi apreendido e no qual ficou comprovado que ele apagou mensagens trocadas justamente no dia dos fatos, além da intenção de manter um tratamento que sabia não ser adequado, demonstram, na nossa concepção e entendimento, que ele assumiu o risco do resultado”.

Ainda segundo a investigação, os sócios teriam orientado funcionários, ocultado a atuação de um segundo manobrista e enviado esse funcionário à academia na noite do acidente. Imagens de segurança mostram que ele permaneceu próximo ao sistema interno de monitoramento, o que levantou suspeitas de tentativa de manipulação de provas.

O delegado Alexandre Bento afirmou que houve dificuldade no acesso a provas e documentos essenciais: “eles dificultaram o nosso acesso aos produtos utilizados, que era uma solicitação dos médicos, dos hospitais, que precisavam entender a rotulagem dos produtos para poder dar um diagnóstico e identificar a melhor forma de tratamento dessas pessoas. Então, fica claro a ganância dessas pessoas, o descaso com as vítimas e o descaso com a investigação criminal e com a justiça”.

Pelo menos sete pessoas são consideradas vítimas no caso da intoxicação por gás tóxico em uma piscina da academia C4 Gym, na Zona Leste de São Paulo. O episódio mais recente divulgado nesta quinta-feira (12) envolve uma criança de cinco anos, que não estava na piscina no sábado, dia do acidente, mas fazia aulas regulares de natação no local e apresentou agravamento de problemas respiratórios.

Segundo a Polícia Civil, a menina está internada e há suspeita de que ela tenha sido exposta de forma contínua ao excesso de cloro utilizado na piscina, o que pode indicar uma intoxicação prolongada, e não apenas um episódio isolado.

Para os investigadores, esse caso reforça a gravidade da situação, já que indica que o ambiente da piscina pode estar impróprio há mais tempo.

Juliana e Vinicius passaram mal após entrar na piscina da academia C4 Gym, em SP — Foto: Reprodução

No sábado (7), dia do ocorrido, seis pessoas inalaram a fumaça tóxica. Juliana Faustino, de 27 anos, que morreu após inalar gás de cloro durante uma aula de natação no sábado.

O marido dela, Vinícius, segue internado em estado grave, mas foi extubado. Um adolescente de 14 anos também permanece internado na UTI, respirando com auxílio de aparelhos. Outras duas vítimas passaram mal, foram atendidas e liberadas. Uma outra relatou mal-estar e foi ouvida pela polícia, mas não precisou de atendimento hospitalar.



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