TCE-RJ aprova auditoria para investigar R$ 6,5 bilhões aplicados em bancos sob suspeita

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro determinou a abertura de uma auditoria extraordinária para fiscalizar aplicações bilionárias feitas pelo Estado em três instituições que foram alvo de operações policiais ou suspeitas de fraude: a Mirae Asset, o Banco Genial e o Banco Digimais. A Corte aprovou uma ampla investigação para passar a limpo a forma como o governo do estado investiu R$ 6,5 bilhões do dinheiro público.
O conselheiro José Gomes Graciosa foi o autor do pedido e, após deliberação do colegiado, a medida foi aprovada. A ideia é ampliar uma apuração que já está em andamento na Corte para investigar investimentos no Banco Master.
A proposta de fiscalização surgiu após uma análise minuciosa no balanço financeiro do Rio de Janeiro referente ao ano de 2025, que levou o Tribunal a indicar a rejeição das contas apresentadas pela gestão Cláudio Castro.
Os auditores identificaram que mais de R$ 6,5 bilhões em recursos públicos foram declarados de forma incorreta nas contas do Estado. O dinheiro que deveria estar guardado a longo prazo acabou sendo registrado como verba de uso imediato, distorcendo a real situação financeira do governo. No meio dessas falhas contábeis, chamou a atenção a grande quantidade de recursos alocados em instituições que enfrentam problemas na Justiça.
Entre as aplicações efetuadas pelo governo, foram encontrados mais de R$ 2,3 bilhões no conglomerado Mirae Asset, R$ 1,7 bilhão no Banco Genial e mais de R$ 1 bilhão no Banco Master.
O que mais preocupa o Tribunal de Contas é o histórico recente dessas empresas. O conselheiro Graciosa ressaltou que a Mirae Asset é investigada pela Polícia Federal por suspeita de corrupção e gestão temerária envolvendo o fundo de previdência do Estado do Amazonas.
Já o Banco Genial sofreu um bloqueio judicial de R$ 176 milhões em São Paulo, em uma ação que mira empresas de combustível suspeitas de ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
O documento da Corte a que a CBN teve acesso alerta que o patrimônio dos cidadãos fluminenses foi exposto a um risco elevado de prejuízo devido à fragilidade dos controles internos e à provável falta de critérios técnicos para escolher onde aplicar o dinheiro.
Apesar da aprovação, os trabalhos da auditoria ainda não começaram. Os técnicos terão um prazo de 30 dias úteis para fazer um pente-fino completo. O objetivo é rastrear cada centavo aplicado nessas instituições até o fim de 2025, identificar quais secretarias ou órgãos autorizaram os repasses e avaliar os reais riscos de perda financeira.
A investigação também vai checar se o governo tem aplicado um decreto estadual recente, que exige regras muito mais rígidas e prudentes de responsabilidade fiscal para investimentos públicos.



