Três anos após ataque do Hamas, Israel homenageia vítimas do 7 de outubro

Israel homenageia nesta quarta-feira (7) as vítimas do ataque feito há três anos pelo grupo extremista palestino Hamas.
Em Reim, onde em 7 de outubro ocorria o festival de música eletrônica Nova — invadido ao amanhecer por milicianos islamistas — familiares das vítimas fizeram um minuto de silêncio às 6h29 no fuso local, o horário exato em que começou o ataque a partir de Gaza.
Um minuto de silêncio também foi registrado no kibutz Kfar Aza, perto da fronteira com Gaza, onde 64 pessoas foram assassinadas e 18 sequestradas durante o ataque.
Na manhã do dia 7, milhares de homens armados do Hamas e de outras facções palestinas cruzaram da Faixa de Gaza e atacaram locais até 22 km distantes da fronteira.
Foram 1.200 mortos, entre civis e funcionários de segurança, israelenses e estrangeiros, que estavam naquele dia em casas próximas à fronteira, em estradas da região ou participavam do festival de música eletrônica Nova, local que registrou o maior número de assassinatos, de 351 pessoas. Entre eles estava o brasileiro Ranani Glazer.
Os membros do Hamas também fizeram 251 reféns e os levaram para Gaza; 44 deles já estavam mortos.
Um relatório divulgado por uma comissão israelense, mostra que foram registrados casos de tortura, vilipêndio de cadáver e estupros. O relatório se baseia em relatos de sobreviventes.
Palestinos deixam a Faixa de Gaza em meio a novos ataques de Israel — Foto: Bashar TALEB / AFP
Após esse dia, o conflito que já dura mais de um século, escalou em níveis catastróficos. Israel intensificou os ataques contra a Palestina, especialmente na Faixa de Gaza.
Nos últimos três anos, 74 mil palestinos morreram, 175 mil ficaram feridas e quase 90% das estruturas do enclave foram danificadas ou completamente destruídas.
O relatório mais recente do Escritório das Nações Unidas, mostra que cerca de 2 milhões de pessoas continuam deslocadas em Gaza.
Escolas, hospitais, residências e infraestruturas básicas para a vida foram destruídos. A região enfrenta uma crise humanitária e econômica sem precedentes.
Um cessar-fogo em 2025 pôs fim aos combates em grande escala, mas não interrompeu os ataques regulares de Israel.
Netanyahu e a disputa eleitoral
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel. — Foto: Abir SULTAN / POOL / AFP
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, está utilizando a mesma estratégia de campanha há décadas, enquanto tenta manter o poder nas eleições daqui a 20 dias.
Ele se apresenta como a única pessoa capaz de garantir a segurança dos israelenses em uma região hostil, especialmente na marca de três anos do ataque feito pelo Hamas.
Segundo o jornal israelense Haaretz, Netanyahu recebeu alertas sobre os preparativos do Hamas antes dos ataques de 7 de outubro de 2023.
Benjamin Netanyahu mantém uma base eleitoral fiel, mas a aprovação pessoal está abaixo de 50%.
Pesquisas recentes mostram que a maioria dos israelenses prefere outro nome para primeiro-ministro e atribui a ele responsabilidade importante pelas falhas de segurança de 7 de outubro.



