Trump afirma que pediu a Rubio para dizer ao papa que o Irã não pode ter armas nucleares

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou que pediu ao secretário de Estado, Marco Rubio, no encontro com o papa Leão XIV para dizer que o Irã não poderia ter arma nuclear, com ‘muita educação e respeito’.
‘Também pedi a ele que relatasse que o Irã matou 42 mil manifestantes inocentes que não estavam armados. Diga isso ao Papa’, afirmou o republicano.
O papa Leão XIV se encontrou nessa quinta-feira (7) no Vaticano com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, após uma briga pública com o presidente americano, Donald Trump, que vem criticando o pontífice por ser contra a guerra no Irã.
Rubio havia dito que se tratava de uma tentativa de ser uma resolução e explicação do lado dos EUA. O secretário defendeu que queria um ‘encontro franco’.
Após a reunião, o Departamento de Estado dos EUA afirmou que os ‘esforços para alcançar uma paz duradoura no Oriente Médio’ foram discutidos nas conversas de Rubio com o Vaticano.
‘O encontro ressaltou a forte relação entre os Estados Unidos e a Santa Sé e seu compromisso compartilhado de promover a paz e a dignidade humana’, disse um porta-voz.
Papa Leão XIV e presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. — Foto: Tiziana FABI / AFP
Antes do encontro, Trump voltou a atacar o papa Leão XIV em entrevista ao programa ‘The Hugh Hewitt Show’.
O presidente americano afirmou na conversa que o papa ‘está colocando muitos católicos e muitas pessoas em perigo’. Segundo ele, Leão XIV ‘prefere falar sobre o fato de que não há problema em o Irã ter uma arma nuclear, e eu não acho isso muito bom’.
Essas palavras vêm na sequência das declarações extremamente duras do presidente dos EUA contra o pontífice, especialmente em relação à guerra no Irã.
Em entrevista ao Corriere della Serra, o Cardeal Gerhard Ludwig Müller, Prefeito Emérito da Congregação para a Doutrina da Fé, defendeu que Rubio é o interlocutor ‘mais confiável’.
‘Os Estados Unidos não podem se opor ao Papa e ao Vaticano; um acordo é necessário. É também uma questão de prudência, pois nos EUA há mais de cinquenta milhões de católicos que certamente não gostarão dos ataques ao Papa. Os políticos precisam ser mais diplomáticos, mais razoáveis’, acrescentou.
‘Trump teve uma reação, digamos, emocional, mas agora deveria analisar as coisas de forma mais racional. A posição da Igreja é muito clara ao defender os valores superiores da paz, acima e além da política’, completou.



