Vice-presidente dos EUA contraria Irã e diz que Estreito de Ormuz dá sinais de reabertura

O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, afirmou nesta quarta-feira (08) que há sinais de reabertura do Estreito de Ormuz e pressionou o Irã a cumprir os termos do cessar-fogo anunciado nas últimas horas. A declaração contraria a versão de Teerã, que diz ter fechado novamente a principal rota de transporte de petróleo do mundo.
Segundo Vance, a movimentação no estreito já se reflete nos preços internacionais de energia.
“O presidente foi muito claro sobre o cessar-fogo e a necessidade de negociação. Eles precisam reabrir a rota. Se isso não acontecer, os Estados Unidos não vão abrir mão dos nossos termos”, disse.
A fala ocorre em meio à rápida deterioração do cenário. Menos de 24 horas após o anúncio da trégua, o Irã afirmou que o acordo foi rompido após ataques de Israel no Líbano e voltou a restringir a passagem de petroleiros em Ormuz.
Autoridades locais informaram que ofensivas israelenses contra o Hezbollah deixaram ao menos 254 mortos e mais de 830 feridos no Líbano. O governo iraniano também relatou bombardeios em seu território, incluindo ataques a duas ilhas.
Além disso, Teerã acusa Israel de atingir instalações petrolíferas em países vizinhos do Golfo, como o Kuwait. De acordo com a agência estatal Fars, apenas duas embarcações cruzaram o Estreito de Ormuz antes do novo fechamento da rota.
Há divergências sobre o alcance do cessar-fogo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o acordo não incluía o Líbano. Na mesma linha, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que as ações contra o Hezbollah continuariam.
Negociações seguem previstas
Apesar da escalada, as negociações diplomáticas seguem previstas. A Casa Branca informou que a próxima rodada de conversas será realizada neste fim de semana em Islamabad, no Paquistão, que atuou como mediador inicial do acordo.
A delegação americana deve ser liderada por Vance, enquanto o Irã será representado por autoridades de alto escalão, incluindo o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi. Segundo o governo dos EUA, no entanto, a maioria das propostas iranianas é considerada inaceitável.
Ainda nesta quarta-feira, Donald Trump voltou a endurecer o discurso e ameaçou adotar medidas contra países da OTAN que, segundo ele, não estariam apoiando Washington no conflito.








