abril 12, 2026

O que acontece com o corpo dos astronautas após uma missão no espaço?


Após 10 dias de viagem e cerca de 407 mil quilômetros percorridos, os quatro astronautas da missão Artemis II retornaram à Terra com uma amerissagem bem-sucedida no Oceano Pacífico. A reentrada na atmosfera, a quase 40 mil km/h, era considerada a fase mais crítica da missão, mas ocorreu sem incidentes.

Em entrevista ao Show da Notícia, Thais Russomano, médica especialista em medicina espacial e CEO da InnovaSpace UK, explicou que nas primeiras horas após o retorno, os astronautas passam por uma série de avaliações médicas rigorosas.

Segundo ela, o corpo humano não é naturalmente adaptado ao ambiente espacial e sofre impactos importantes, principalmente por causa da microgravidade e da radiação. Apesar disso, a médica destacou que a curta duração da missão tende a reduzir os danos mais severos.

“Nós não estamos desenhados em termos fisiológicos, no funcionamento do nosso corpo e da nossa mente para estarmos em um ambiente que não seja um ambiente terráqueo. Tem alguns aspectos da missão que são importantes também de entender, que os dois grandes inimigos dos astronautas são o efeito da microgravidade e a radiação.”

Astronautas podem ter dificuldade para ficar em pé após retorno

Um dos efeitos mais imediatos é a dificuldade de equilíbrio e locomoção. Os astronautas voltam com a coordenação um pouco afetada e podem ter dificuldade até para ficar em pé.

“Na volta da missão, os astronautas estão um pouco desorientados, com a coordenação afetada, e a gravidade atuando sobre o corpo novamente redistribui o sangue para a parte inferior do corpo, exatamente o oposto da microgravidade. Isso pode gerar o que é muito comum na volta à Terra, chamado de intolerância ortostática, que é uma incapacidade, digamos, de ficar em pé.”

Radiação no espaço pode aumentar riscos à saúde no longo prazo

Outro ponto de atenção é a exposição à radiação no espaço profundo. De acordo com a especialista, embora não represente risco imediato nesse tipo de missão, os efeitos podem surgir no longo prazo, como aumento do risco de câncer e doenças cardiovasculares. Por isso, os astronautas seguem sendo monitorados por anos.

“Já se viu que a microgravidade, não só a radiação, torna a proliferação de células cancerosas mais agressiva. Isso é bom, por um lado — claro que não para os astronautas — mas é bom no sentido de que a gente pode fazer testes com novas drogas para situações mais agressivas de câncer. A longo prazo, nós temos alterações cardiovasculares também, a possibilidade de alterações neurológicas e neurodegenerativas, e por isso o astronauta é acompanhado pelas agências espaciais ao longo de muito tempo.”

Thais Russomano também abordou os impactos psicossociais da missão. O confinamento, o isolamento e a convivência em ambiente extremo são fatores que exigem preparo e acompanhamento. Já no retorno à Terra, os desafios incluem a readaptação à rotina e à vida fora do ambiente espacial.



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