Tragédia da ciclovia Tim Maia completa dez anos sem punição aos responsáveis

Dez anos após o desabamento de um trecho da ciclovia Tim Maia, acidente que deixou dois mortos, nenhum dos acusados foi condenado ou preso. O futuro da via também segue indefinido na Justiça.
A ciclovia foi totalmente reaberta no ano passado por decisão da Justiça Federal. Mesmo assim, o Ministério Público Federal continua defendendo a demolição completa da estrutura, alegando a ausência de estudo de impacto ambiental na época da construção.
O acidente aconteceu em 21 de abril de 2016, feriado de Tiradentes. Um trecho de mais de 50 metros desabou após o impacto de uma onda, na altura do Castelinho, a cerca de 800 metros da Praia de São Conrado. Morreram Ronaldo Severino da Silva, de 60 anos, e o engenheiro Eduardo Marinho Albuquerque, de 54.
Na esfera criminal, o caso se arrastou por anos. Em 2020, 15 réus, em sua maioria engenheiros e executivos, chegaram a ser condenados. Mas, em 2023, todos foram absolvidos após recurso. Como o próprio Ministério Público do Rio se manifestou a favor da absolvição, o processo foi arquivado.
Apesar disso, as famílias das vítimas conseguiram indenizações. Ainda em 2016, a prefeitura firmou acordo com os parentes. Já o Consórcio Contemat-Concrejato, responsável pela obra, fechou um acordo extrajudicial anos depois.
O advogado Armando Micelli, que representou a família de Eduardo Marinho, explicou como foram as negociações:
“A gente negociou durante cinco, seis meses, em dezembro de 2016 a gente fez um acordo extrajudicial em relação à Prefeitura o assunto foi resolvido naquela data. Tempo depois eu tentei uma composição com a construtora não não consegui, dei entrada numa ação, nação judicial e indenizatória, fui julgado no STJ, depois do julgamento no STJ, o advogado da construtora me procurou, negociamos por um tempo e chegamos no acordo nos anos vinte e dois a vinte e três e o processo acabou, foi cumprido o acordo com a construtora também.”
Na área cível, porém, o caso segue aberto. O MPF aponta falhas no licenciamento e aguarda a conclusão de uma perícia para embasar o pedido de demolição. Em janeiro deste ano, todos os processos relacionados ao caso foram suspensos para análise conjunta.
A prefeitura afirma que a estrutura é segura, e que cerca de R$ 18 milhões foram investidos em obras de recuperação, além de outros recursos destinados à manutenção.
Segundo o município, a Fundação Geo-Rio realizou intervenções ao longo do trecho entre o Leblon e São Conrado e mantém monitoramento permanente da ciclovia, com ações preventivas semelhantes às adotadas no Elevado do Joá.
Procurado, o Consórcio Contemat-Concrejato informou apenas que os executivos foram absolvidos. Já o Ministério Público Federal disse que aguarda a conclusão da perícia antes de uma nova manifestação.







