maio 15, 2026

Após negar dinheiro do Master em filme, Mário Frias recua e fala em 'diferença de interpretação'


O deputado federal Mário Frias recuou nesta quinta-feira (14) após afirmar que o filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, não havia recebido “um centavo do Master”. Em nova nota divulgada cerca de 20 horas após a primeira manifestação, o parlamentar disse que “não há contradição material” nas declarações públicas sobre o financiamento do projeto, mas sim uma “diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento”.

Segundo Frias, ao negar recursos do Banco Master no longa, ele se referia ao fato de que o banqueiro Daniel Vorcaro e o próprio banco nunca teriam figurado formalmente como investidores da produção.

“Quando afirmei anteriormente que não há ‘um centavo do Master’ no filme, referia-me ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico, assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora”, afirmou.

A produtora GOUP Entertainment também divulgou nota na quarta-feira (13) negando que o filme tenha recebido dinheiro diretamente de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas ligadas ao banqueiro. Segundo a empresa, o projeto reúne mais de dez investidores privados e nenhum deles seria formalmente ligado ao empresário investigado.

A GOUP, no entanto, reconheceu que parte dos recursos do projeto circulou por meio da empresa Entre Investimentos, apontada como intermediária dos repasses financeiros.

Jim Caviezel no pôster de ‘Dark Horse’, filme sobre Jair Bolsonaro — Foto: Reprodução/Instagram/therealjimcaviezel

Frias reiterou que o senador Flávio Bolsonaro não possui participação societária no filme ou na produtora e afirmou que o parlamentar apenas cedeu os direitos de imagem da família Bolsonaro para a produção.

O deputado acrescentou que, mesmo que houvesse recursos de Vorcaro no projeto, “não haveria problema algum”, por se tratar de investimento privado sem uso de dinheiro público.

Áudio expôs cobranças por pagamentos

A repercussão sobre o financiamento do filme começou após o site The Intercept Brasil divulgar um áudio em que Flávio Bolsonaro cobra Daniel Vorcaro por pagamentos atrasados relacionados à produção de Dark Horse. Segundo a reportagem, Vorcaro teria desembolsado cerca de R$ 61 milhões para financiar o longa. O acordo total previa pagamentos de R$ 124 milhões.

Após a divulgação do áudio, Flávio Bolsonaro confirmou ter solicitado recursos ao banqueiro, mas negou irregularidades. “Sim, tinha um contrato que, ao não pagar essas parcelas, tinha uma grande chance de o filme sequer ser veiculado, sequer ser concluído”, afirmou o senador.

PF investiga esquema bilionário

Daniel Vorcaro está preso em Brasília sob acusação de liderar um esquema de fraudes financeiras investigado pela Polícia Federal. Segundo as investigações, as irregularidades podem chegar a R$ 12 bilhões.

Relatórios de inteligência financeira do Coaf apontam que a Entre Investimentos recebeu R$ 159,2 milhões de fundos investigados pela PF por suspeita de participação em fraudes envolvendo o Banco Master.

Ainda não há confirmação sobre quanto desse total foi efetivamente destinado ao financiamento do filme ou à produtora responsável pelo projeto.

Primeiro comunicado de Mário Frias:

“Na condição de produtor executivo do longa-metragem Dark Horse, sobre a trajetória do presidente Jair Bolsonaro, esclareço:

1. O senador Flávio Bolsonaro não tem qualquer sociedade no filme ou na produtora. Seu papel limitou-se à cessão dos direitos de imagem da família e, naturalmente, ao peso que seu sobrenome agrega na hora de atrair investidores interessados em financiar um projeto desse porte — o que é legítimo, esperado e não configura, em si, nada além do óbvio.

2. Como já esclareceu a produtora GOUP Entertainment, não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse. E, ainda que houvesse, não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco.

3. Dark Horse é uma superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado, ator de primeira linha, além de diretor e roteirista de renome internacional — com qualidade inédita para retratar o maior líder político brasileiro do século XXI. O projeto é real, será lançado nos próximos meses e, para quem investiu, será um negócio bem-sucedido.

4. ⁠Desde o anúncio do projeto, Dark Horse vem sendo alvo reiterado de ataques direcionados não apenas à produção do filme, mas também à sua própria viabilidade e futura exibição. Há uma tentativa permanente de descredibilizar a obra perante a opinião pública, investidores e parceiros do setor audiovisual, muitas vezes por motivações claramente políticas e ideológicas. Ainda assim, o projeto segue firme, estruturado e respaldado por profissionais experientes da indústria cinematográfica internacional.

5. Por fim, um lembrete pessoal: geri bilhões da Lei Rouanet à frente da Secretaria Especial da Cultura e saí do governo com as mãos limpas. Quem não se enriqueceu com bilhões certamente não iria se sujar pelos R$ 2 milhões que a imprensa agora tenta atribuir.

Deputado Federal Mário Frias, produtor executivo”

Segunda nota enviada por Frias:

“Na condição de produtor executivo do longa-metragem Dark Horse, esclareço que não há contradição material entre os posicionamentos públicos sobre o financiamento do projeto, mas uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento.

Quando afirmei anteriormente que não há “um centavo do Master” no filme, referia-me ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico, assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora. O nosso relacionamento jurídico foi firmado com a Entre, pessoa jurídica distinta.

Reitero que o senador Flávio Bolsonaro e o Deputado Eduardo Bolsonaro não têm sociedade no filme nem na produtora ou com qualquer outra estrutura ligada ao filme, tendo apenas autorizado o uso de direitos de imagem da família. Também reafirmo que todo o dinheiro captado foi utilizado exclusivamente na produção do filme Dark Horse, projeto realizado com capital privado e sem qualquer recurso público.

Deputado Federal Mário Frias

Comunicado GOUP Entertainment:

“A GOUP Entertainment esclarece, preliminarmente, que a legislação norte-americana aplicável a operações privadas de captação no setor audiovisual veda a divulgação da identidade de investidores cujos aportes encontrem-se resguardados por acordos de confidencialidade (Non-Disclosure Agreements). Trata-se de prerrogativa contratual e regulatória legítima, assegurada aos financiadores de projetos estruturados sob o regime de investimento privado, e que esta produtora é obrigada a observar.

Sem prejuízo das restrições acima e com o propósito de afastar especulações infundadas, a GOUP Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário.

A produtora reafirma que o projeto cinematográfico Dark Horse foi estruturado dentro de modelo privado de desenvolvimento audiovisual, por meio de articulações, parcerias e mecanismos legítimos do mercado de entretenimento nacional e internacional, sem utilização de recursos públicos.

Cumpre destacar, ademais, que conversas, apresentações de projeto ou tratativas eventualmente mantidas com potenciais apoiadores e empresários não configuram, por si só, efetivação de investimento, participação societária ou transferência de recursos — sendo improcedente qualquer ilação em sentido contrário.

A GOUP Entertainment repudia, portanto, tentativas de associação indevida entre a produção cinematográfica e fatos externos desprovidos de comprovação documental, financeira ou contratual.

A produtora permanece à disposição das autoridades competentes e da imprensa para os esclarecimentos cabíveis, reafirmando seu compromisso com a transparência, a legalidade e a integridade de suas operações”.



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