Grupo das maiores economias do mundo defende reabertura de Ormuz e 'resolução' para a guerra no Irã

O comunicado final da reunião os Ministros das Finanças do G7, concluída nesta terça-feira (19) em Paris, na França, definiu que os países e o resto do mundo tente trabalhar para reabertura do Estreito de Ormuz e uma ‘resolução’ para a guerra no Irã.
Segundo o texto, isso é necessário para ‘mitigar’ os ‘impactos negativos’ que o fechamento do estreito e a crise geram.
‘A incerteza econômica global aumentou os riscos para o crescimento e a inflação, em meio ao conflito em curso no Oriente Médio, particularmente devido às pressões sobre as cadeias de suprimento de energia, alimentos e fertilizantes, afetando especialmente os países mais vulneráveis. Para mitigar esses impactos negativos, reconhecemos que um rápido retorno à livre e segura circulação pelo Estreito de Ormuz e uma resolução duradoura para o conflito são imperativos’, destaca o texto.
Em meio a isso, o Irã está se preparando para a possibilidade de uma retomada dos ataques americanos e deixou claro que não hesitará em impor um alto preço aos seus vizinhos e à economia global em caso de agressão. A informação é do jornal New York Times, através de fontes no país.
Entre as opções que Teerã estaria considerando está o controle do Estreito de Bab el-Mandeb, o estreito que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Aden e por onde passa um décimo do comércio mundial.
O estreito está localizado próximo a territórios controlados pelos houthis, uma milícia iemenita apoiada pelo Irã. Ele fica entre o Iêmen, Djibouti e Arábia Saudita.
Quanto aos combates em si, os líderes iranianos esperam que sejam ‘curtos, mas de alta intensidade’, incluindo ataques pesados e coordenados à infraestrutura energética iraniana. A resposta do Irã seria lançar dezenas ou centenas de mísseis por dia para ‘engajar o inimigo de forma eficaz e também inverter a situação’.
Além disso, diz o New York Times, o Irã aproveitou o cessar-fogo de mais de um mês em sua guerra contra os Estados Unidos e Israel para se preparar para uma retomada dos combates, reposicionando seus lançadores de mísseis balísticos.
Desde que o cessar-fogo entrou em vigor em 8 de abril, diz um oficial americano o Irã tem trabalhado para ‘reequipar dezenas de locais de lançamento de mísseis balísticos atingidos por bombardeios, realocar lançadores móveis de mísseis e, apesar das perdas significativas, adaptar suas táticas para uma possível retomada dos ataques’.
O oficial explicou que os ataques americanos contra as capacidades de mísseis iranianas atingiram os portões de acesso aos locais, mas não os lançadores, pois estes estavam enterrados em cavernas subterrâneas profundas para proteger de ataques.
Estreito de Ormuz permanecerá ‘para sempre’ sob a administração do Irã, afirma autoridade
Embarcações passam pelo Estreito de Ormuz. — Foto: Giuseppe CACACE / AFP
O Estreito de Ormuz ‘permanecerá para sempre na posse e sob a administração’ do Irã, afirmou nesta terça-feira (19) um alto funcionário iraniano em uma resposta a ameaça da retomada da guerra no Oriente Médio.
Ebrahim Azizi, presidente da comissão de segurança nacional do parlamento iraniano, afirmou que o estreito era uma ‘alavanca econômica, política e militar abrangente’, em comentários divulgados pela agência de notícias estatal ISNA.
No início da guerra, o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.
Posteriormente, os EUA lançaram seu próprio bloqueio naval contra portos iranianos em resposta.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã insistiu que medidas foram tomadas para restabelecer o fluxo de navios no estreito, apesar da maioria das embarcações permanecer presa na região.
Os países ocidentais, liderados pelo Reino Unido, têm pressionado pela reabertura do estreito, com a ministra das Relações Exteriores, Yvette Cooper, alertando que o mundo está ‘caminhando sonâmbulos para uma crise alimentar global’ se ele permanecer fechado.








