Uzbequistão estreia na Copa do Mundo e aposta em geração que começa a ganhar espaço no futebol europeu

A Copa do Mundo de 2026 marcará um momento histórico para o futebol do Uzbequistão. Pela primeira vez, a seleção uzbeque disputará um Mundial, tornando-se a única das antigas repúblicas da União Soviética presente no torneio.
Com a Rússia suspensa das competições internacionais e sem outras ex-repúblicas soviéticas classificadas, o Uzbequistão carrega sozinho a representação desse grupo de países no Mundial.
A vaga foi conquistada após uma campanha consistente nas eliminatórias asiáticas. A equipe terminou em segundo lugar em seu grupo tanto na primeira quanto na segunda fase da classificação, ficando atrás apenas do Irã nas duas ocasiões. No total, foram dez vitórias, cinco empates e apenas uma derrota.
Atualmente na 50ª posição do ranking da FIFA, o Uzbequistão acumulou 26 vitórias, 14 empates e apenas quatro derrotas durante o ciclo da Copa do Mundo.
A classificação, no entanto, foi acompanhada por uma mudança inesperada no comando técnico. O esloveno Srečko Katanec, responsável por grande parte do ciclo, deixou o cargo em 2025 por questões de saúde. Seu substituto imediato, Timur Kapadze, conduziu a seleção até a classificação para o Mundial.
Poucos meses depois, porém, a federação optou por uma mudança de rumo e contratou o italiano Fabio Cannavaro para liderar a equipe na Copa do Mundo. A ideia inicial era manter Kapadze na comissão técnica, mas o treinador uzbeque acabou deixando o projeto.
A decisão gerou questionamentos no país, principalmente pelo histórico ainda irregular de Cannavaro como treinador, apesar do enorme prestígio conquistado como jogador.
Retrospecto do Uzbequistão na Copa do Mundo — Foto: CBN
Destaques e pontos positivos
O principal nome da seleção é o jovem zagueiro Abdukodir Khusanov, considerado a maior promessa da história recente do futebol uzbeque.
Aos 22 anos, Khusanov viveu uma ascensão meteórica. Após iniciar a carreira profissional em Belarus, transferiu-se para o futebol francês antes de ser contratado pelo Manchester City por cerca de 40 milhões de euros. Na reta final da temporada, ganhou espaço como titular da equipe inglesa e chamou atenção pela velocidade, capacidade de cobertura e força nos duelos defensivos.
Outro jogador fundamental é o atacante Eldor Shomurodov, principal referência ofensiva da equipe. Aos 30 anos, ele é o maior artilheiro da história da seleção, com mais de 40 gols, e chega ao Mundial vivendo uma das melhores fases da carreira.
Shomurodov também se tornou um símbolo para o futebol do país ao ser o primeiro jogador uzbeque a conquistar um título continental europeu, quando integrou o elenco da equipe vencedora da Conference League.
Outro nome observado com atenção é Abbosbek Fayzullaev. Ainda jovem, o meia-atacante é apontado como um dos atletas com maior potencial de crescimento do elenco e já desperta interesse de clubes de centros mais competitivos do futebol europeu.
Além dos talentos individuais, a seleção chega embalada por um sentimento de identidade nacional muito forte. A classificação inédita mobilizou o país e transformou a participação na Copa em um dos acontecimentos esportivos mais importantes da história do Uzbequistão.
Caminho do Uzbequistão até a Copa do Mundo de 2026 — Foto: CBN
Desafios para surpreender no Mundial
Apesar do entusiasmo, o Uzbequistão chega ao torneio cercado por algumas incógnitas.
A principal delas é justamente a troca de treinador às vésperas da Copa. A equipe desenvolveu sua identidade ao longo do ciclo sob outros comandos e ainda existe a dúvida sobre o impacto que a chegada de Cannavaro terá no funcionamento coletivo da seleção.
Seleção do Uzbequistão — Foto: CBN
Outro desafio é o nível de experiência internacional do elenco. Embora conte com atletas atuando em ligas competitivas, o grupo ainda possui poucos jogadores acostumados a disputar grandes torneios internacionais.
Em campo, o Uzbequistão costuma adotar uma postura mais cautelosa, apostando em organização defensiva e transições rápidas. A estratégia foi suficiente para garantir a classificação, mas será colocada à prova diante de adversários de nível mais alto na Copa do Mundo.
Mesmo sem figurar entre as favoritas, a seleção chega ao torneio com uma geração promissora, um feito histórico já assegurado e a expectativa de mostrar ao mundo que o futebol uzbeque pode produzir talentos capazes de competir nos principais palcos do esporte.



