É seguro confiar em índices passados de inflação e juros?

No CBN Dinheiro desta terça-feira (18), Marcelo d’Agosto responde a dúvida do seu xará. O ouvinte está fazendo um planejamento financeiro para o longo prazo e notou que nos últimos 20 anos a inflação anual brasileira raramente esteve abaixo de 4% ao ano, e a taxa de juros ficou, em média, em torno de 10,5% ao ano.
Ele pergunta: é razoável usar esses índices médios para projetar as finanças pessoais para os próximos 10 anos? E que tipo de margem de segurança ou premissas adicionais é adequado levar em consideração?
Confira a resposta do especialista:
O mais relevante para o planejamento financeiro a longo prazo é o ganho acima da inflação. No jargão de mercado essa diferença é chamada de “juro real”.
Pelos seus cálculos, na média dos últimos tempos o juro real ficou em 6,5% ao ano, que é a diferença da taxa de juros de 10,5% e a inflação de 4%. Com base nesses parâmetros você pode traçar alguns cenários.
Por exemplo, hoje os juros estão em 14% ao ano, portanto, em níveis historicamente elevados. E se a inflação continuar na média histórica, o ganho com as aplicações prefixadas parece atrativo.
O mesmo vale para os títulos atrelados à inflação, que pagam rendimento real, atualmente, de 8% ao ano. Portanto, o investimento pode proporcionar bons ganhos a longo prazo.
Já a valorização dos ativos de renda variável depende da redução dos juros reais.
Em todo caso, a recomendação é contar mais com o seu esforço de poupança e a disciplina de investir periodicamente do que com as premissas de rentabilidade.



