EUA vão liberar 'imediatamente' US$ 12 bilhões em fundos congelados do Irã, afirmam autoridades

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou nesta terça-feira (23) que os Estados Unidos concordaram em liberar ‘imediatamente’ US$ 12 bilhões (R$ 61 bi) em fundos iranianos congelados, após a conclusão das negociações técnicas realizadas na Suíça.
‘Ficou acordado que os termos assinados relativos à liberação dos US$ 12 bilhões em fundos congelados entrarão em vigor imediatamente’ disse Gharibabadi, que liderou a equipe de negociação técnica do Irã, segundo a agência de notícias IRNA.
O vice-ministro fez o anúncio após declarar que as negociações técnicas haviam sido concluídas. Gharibabadi também afirmou que a próxima fase envolverá um comitê de alto nível, sem especificar uma data, bem como a criação de quatro comissões técnicas temáticas.
Essas declarações contrastantes com o que o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, disse nessa segunda (22), afirmando que os fundos congelados para o Irã não serão liberados a menos que haja progresso nas negociações em andamento na Suíça entre os dois países para pôr fim à guerra iniciada em 28 de fevereiro.
‘Os fundos não serão liberados a menos que continuemos a progredir, o que sem dúvida será um aspecto fundamental das negociações nos próximos dias’, disse o vice-presidente a repórteres antes de embarcar em um voo de volta a Washington, vindo da Suíça, após as conversas quadrilaterais no domingo.
Enquanto isso, o governador do Banco Central do Irã, Abdolnaser Hemmati, disse à agência de notícias Tasnim que a primeira parcela de US$ 6 bilhões será usada em parte para a compra de ‘bens essenciais e medicamentos’.
‘Se o preço e a qualidade dos produtos americanos forem mais adequados do que os de outros países, não temos impedimento para comprá-los’, enfatizou Hemmati, esclarecendo que não há obrigação de comprar insumos agrícolas dos Estados Unidos.
A segunda parcela, também de US$ 6 bilhões, não se limita à compra de bens essenciais, ressaltou o governador.
Além disso, também nessa terça (23), o principal negociador iraniano, Mohammed Bagher Ghalibaf, declarou que o Estreito de Ormuz jamais retornará ao estado anterior à guerra e está sob administração do país. A declaração foi feita à mídia estatal.
Irã diz que cooperação com agência nuclear da ONU seguirá ‘sob procedimentos atuais’
Usina nuclear de Bushehr, no Irã. — Foto: Planet Labs PBC/Divulgação
O Irã afirmou nesta segunda-feira (22) que sua cooperação com a agência nuclear da ONU continuará “sob os procedimentos atuais”, reagindo às declarações de altos funcionários dos Estados Unidos de que Teerã havia concordado em permitir a entrada de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica no país.
Em declarações divulgadas pela agência de notícias oficial da República Islâmica, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que a interação do Irã com a Agência Internacional de Energia Atômica prosseguirá “de acordo com as obrigações do Irã nos termos dos acordos de salvaguarda” e “em conformidade com as resoluções aprovadas pelo Parlamento e as decisões do Conselho Supremo de Segurança Nacional”.
Isso significa que inspeções não serão autorizadas, já que uma lei aprovada pelo Parlamento iraniano no ano passado suspendeu as vistorias pela agência da ONU.
Além disso, nesta segunda, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou a suspensão das sanções ao petróleo iraniano. A decisão ocorreu depois da primeira rodada de negociações no domingo entre Irã e Estados Unidos após os dois países assinarem o acordo que busca o fim da guerra no Oriente Médio. A reunião ocorreu na Suíça e durou 18 horas.
Os mediadores do Paquistão e do Catar afirmaram que as partes concordaram com um roteiro para alcançar um acordo definitivo que encerre a guerra em 60 dias, apesar de um início tenso, após Teerã voltar a fechar o estreito e o presidente americano, Donald Trump, ameaçar retomar os ataques contra o Irã.



