Sete pessoas são presas em operação da PF, incluindo secretária de empresário sancionado pelos EUA

Sete pessoas foram presas na operação da Polícia Federal que mira uma organização suspeita de lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas.
A PF identificou movimentações acima de 10 bilhões e 400 milhões de reais.
O principal alvo é o empresário Vitor Shimada, que está foragido. A Polícia Federal afirma que ele está no Brasil.
Nesta semana, ele foi alvo de sanções dos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital. Ele é apontado como um elo entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes internacionais, além de ser acusado de lavar mais de 30 milhões de dólares em recursos ilícitos.
No Brasil, o nome de Shimada também aparece na investigação sobre supostos desvios no contrato de patrocínio entre Corinthians e VaideBet.
Segundo a PF, a investigação começou em março, em parceria com autoridades norte-americanas.
Em junho, a Justiça autorizou os mandados de prisão e de busca e apreensão.
Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a operação foi antecipada porque o anúncio das sanções pelos Estados Unidos pode ter servido de alerta aos investigados no Brasil.
Andrei avaliou que os norte-americanos podem ter prejudicado a operação desta sexta-feira, porque a PF ainda avaliava o melhor momento para cumprir os mandados.
Em entrevista ao portal G1, o ministro da Fazenda, Dário Durigan, ressaltou que a operação da Polícia Federal não foi motivada pelas sanções americanas:
Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que também foi sancionada pelo governo Donald Trump, foi presa na operação desta sexta-feira.
Segundo as autoridades norte-americanas, ela seria parente de Shimada e teria atuado como secretária dele, além de intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro. Ela também é apontada como entregadora e transportadora de drogas.
De acordo com informações da TV Globo, a investigação de narcotráfico começou a partir da apreensão, nos Estados Unidos, do celular de Igor Fochin Savioli — apontado como líder da operação de lavagem de dinheiro, que tinha Vitor Shimada como coordenador.
Os dados do aparelho foram compartilhados com a Polícia Federal.
A partir das mensagens, as autoridades brasileiras reconstruíram a logística do grupo, que combinava transporte de dinheiro em espécie, operações bancárias de alto valor e transferências de criptomoedas.
De acordo com denúncia aceita pela Justiça, a empresa Victory Trading, em que Shimada é sócio, manteve movimentação financeira intensa com a Wave Intermediações e Tecnologias, apontada como uma das empresas usadas para movimentar valores do esquema e que também foram sancionadas pelos Estados Unidos.
A investigação brasileira, porém, não afirma que Shimada seja integrante do PCC.
A Operação Exchange foi deflagrada em São Paulo e em outras três cidades: Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba.
Mais de 50 policiais federais cumpriram 11 mandados de prisão temporária e 13 mandados de busca e apreensão.
Dois veículos de luxo também foram apreendidos durante a operação, avaliados em mais de 1 milhão e meio de reais.



