Torcida argentina celebra vaga para final em São Paulo

A Argentina de Lionel Messi vai disputar a segunda final de Copa do Mundo seguida após vencer a Inglaterra de Harry Kane. Agora, os hermanos encaram a fúria espanhola na final do mundial. A torcida argentina marcou presença na Zona Leste de São Paulo para acompanhar uma semifinal que envolvia outros temas além do esporte.
Esse é o grito de comemoração dos torcedores argentinos que estavam na região da Mooca, na Zona Leste de São Paulo, quando o juiz apitou o fim de jogo contra a Inglaterra.
A seleção argentina venceu a semifinal contra os ingleses e garantiu a segunda vaga para a final da Copa do Mundo. Esta será a segunda decisão seguida dos argentinos, campeões de 2022, no Catar, ao derrotar a França nos pênaltis.
Antony Gordon chegou a assustar os hinchas argentinos, mas os gols de Enzo Fernandez e Lautaro Martinez, o segundo nos acréscimos, fez a cumbia calar o punkrock inglês em Atlanta.
A partida valia muito mais do que a classificação pra final do mundial de futebol: tinha peso político, de memória e luta.
Em 1982, os dois países batalharam pelo controle das Ilhas Malvinas, que estavam em posse dos ingleses: 649 soldados argentinos morreram em combate, enquanto 255 britânicos perderam a vida, além de três moradores da ilha.
O argentino Pablo Caraviglio, de Buenos Aires, disse que o resultado não apaga a dor que o conflito causou, mas traz uma forte emoção para os argentinos:
“E é um pouco, um pouco sim, um pouco não, mas a gente tenta estar mais tranquilo, mas é parte da história e foi muito emocionante.”
Ao término do jogo em Atlanta, atletas argentinos estenderam uma bandeira com a mensagem “as Malvinas são Argentinas”. Havia um temor da Fifa de que o assunto pudesse vir à tona causando contratempos, mas as manifestações se resumiram a esta.
Em São Paulo, não só os argentinos estavam tensos e vidrados: havia uma legião de brasileiros cantando “ya lo ves, el que no salta es un ingles” – ‘se você não pular, você é inglês’.
Um deles era Paulo Eudes, que se emocionou ao lembrar de assistir os jogos da seleção com o pai. A vitória foi dedicada a ele:
“Tenho 50 anos, meu pai viu o final de 78, ele era brasileiro, torcedor da Argentina. Na década de 80 ele me ensinou a ser apaixonado por essa seleção, pelo Maradona. Eu estou ensinando minha filha, a gente tem que estar junto. E eu queria dedicar esse dia para o meu pai. João, João Edes. Viva Argentina!”
Na final, os albicelestes vão encarar a Espanha, campeã em 2010, que por sua vez, eliminou a França para chegar a decisão.
E como o destino tem coincidências, essa final vai colocar frente a frente o passado e o futuro de um dos maiores clubes do mundo: o Barcelona. Lionel Messi, que para muitos é o maior da história do time, enfrentará Lamine Yamal, o atual camisa 10 do clube.
A prova de que o destino é um roteirista de mão cheia é a imagem de Lionel Messi dando banho no bebê Lamine Yamal, em 2007, que ganhou novamente as redes sociais. O retrato é do fotógrafo Joan Monfort e fez parte de um calendário beneficente promovido pelo jornal catalão Sport em parceria com o Barcelona e o Unicef.
O árabe naturalizado brasileiro e torcedor da Argentina Sami Aldrsani agradeceu por ter vivido na mesma época de Messi e disse que ficará feliz com qualquer que seja o resultado:
“Eu vim de uma família barcelonista. Minha família sempre torcia o Barcelona, né? Então, eu acompanho a cara do Messi toda. Eu sou grato a Deus por ter nascido na época do Messi. Pra mim ele é o melhor da história. Se a Espanha ganhar, tá nas mãos do Yamal. Se a Argentina ganhar, tá nas mãos do Messi mais uma vez”.
Espanha e Argentina se enfrentam neste domingo, às quatro da tarde, em Nova Jersey, para decidir o título da Copa do Mundo de 2026.



