Repasses de emendas parlamentares batem recorde em ano eleitoral de 2026

O ano eleitoral de 2026 registra um recorde no pagamento de emendas parlamentares. Até o início de julho, o governo federal repassou R$ 26,55 bilhões diretamente aos municípios. Esse valor é 20% maior do que o registrado no mesmo período de 2022. É o que aponta levantamento da Folha de São Paulo.
O crescimento ocorre após o Congresso aprovar o “calendário de emendas”, obrigando o Palácio do Planalto a pagar 65% do valor total das emendas individuais e as de bancada, até julho, antes do início das restrições eleitorais.
A maior parte do dinheiro, cerca de 65%, foi destinada à saúde.
Municípios como Duque de Caxias (RJ) e Macapá (AP) figuram entre os maiores beneficiários com os repasses de R$ 208,5 milhões e R$ 152,1 milhões.
No entanto, o volume de recursos gera questionamentos. Há quantias milionários para a realização de shows, compra de máquinas agrícolas e veículos.
O Supremo Tribunal Federal investiga denúncias de negociações irregulares de emendas. Recentemente, o ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e de R$ 6 milhões do ex-deputado Eduardo Cunha, por suspeita de negociarem valores repassados a municípios sem possuir mandato.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, criticou a atuação do Judiciário, classificando como uma tentativa de “criminalizar a atividade política”.
Em dez anos, o valor reservado para emendas parlamentares saltou de quase R$ 12 bilhões para quase R$ 50 bilhões.



