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Flip 2026: primeiro dia do festival literário tem homenagem de amigo a Orides Fontela e performance

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julho 22, 2026
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Flip 2026: primeiro dia do festival literário tem homenagem de amigo a Orides Fontela e performance


Começa nesta quarta-feira a 24º edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip. Durante cinco dias (22 a 26 de julho), a cidade recebe em seu Centro Histórico leitores e escritores de todo o mundo para celebrar os livros e a cultura.

O evento teve sua primeira edição em 2003, e desde então trouxe centenas de autores premiados às famosas ruas de pedra da cidade fluminense — que exigem, aliás, sapatos fechados e antiderrapantes. De acordo com a Secretaria de Turismo de Paraty, a Flip está entre os períodos de maior movimentação de visitantes no município, ao lado do Réveillon e do Carnaval, impulsionando a economia de diversos setores.

São destaque do festival literário em 2026 os escritores Andréa del Fuego, Bethânia Pires Amaro, Ana Paula Tavares — vencedora do Prêmio Camões do ano passado –, Katie Kitamura, Paulliny Tort, Kamel Daoud, Milton Hatoum, Zadie Smith, ministra Cármen Lúcia e o médico Dráuzio Varella. Tradição da Flip, neste ano a autora homenageada é a poeta paulista Orides Fontela, cujos versos nomeiam as mesas do Programa Principal da festa literária.

A Flip conta ainda com 44 casas parceiras oferecendo um circuito paralelo, como a Casa Sesc, que traz a intelectual e ativista americana Angela Davis. Nomes como Valter Hugo Mãe, Socorro Acioli e Conceição Evaristo também participam de eventos extras.

De acordo com a Climatempo, a previsão é de sol entre nuvens na quarta-feira (22), sem chuva (17°/28°). Na quinta (23), faz sol com muitas nuvens, períodos de céu nublado, e pancadas de chuva à noite (18°/23°). A sexta (24) é um pouco mais fria, e tem sol com algumas nuvens e chuva rápida durante o dia e à noite (16°/18°). O sábado (25) tem sol com muitas nuvens e pancadas de chuva à tarde, e muitas nuvens à noite, que fica sem chuva (16°/22°). O último dia de Flip, domingo (26), tem sol com muitas nuvens e pancadas de chuva à tarde e à noite (17°/22°).

A programação do primeiro dia é a mesa de abertura ‘Entra furtivamente a luz‘, que acontece às 19h30 no Auditório da Matriz. Participam a poeta carioca Marília Garcia — autora de ‘Câmera lenta’, ’20 poemas para o seu walkman’ e ‘Pensar com as Mãos’ — e o poeta e crítico literário paulistano Augusto Massi, que foi amigo e editor de Orides Fontela — de ‘Negativo’, ‘Eletricista’ e ‘Sabiás da Crônica’. Enquanto Massi fala sobre a obra e legado de Orides, Garcia fará uma performance poética.

O nome da mesa retoma o poema ‘Alba’, que abre o livro homônimo de Orides Fontela. Foi sua terceira publicação e lhe rendeu o Prêmio Jabuti em 1983.

“Entra furtivamente / a luz / surpreende o sonho inda imerso / na carne. / Abrir os olhos. / Abri-los / como da primeira vez / – e a primeira vez / é sempre. / Toque / de um raio breve / e a violência das imagens / no tempo. / Branco / sinal oferto / e a resposta do / sangue: / AGORA!”

Marília Garcia, que lança na Flip novo livro pela WMF Martins Fontes, ‘Lia, Mira, Maria’, adiantou à CBN que preparou um texto escrito a partir da releitura dos poemas da homenageada para apresentar ao público.

A poeta carioca considera a poesia de Orides Fontela complexa e com várias possibilidades de leitura, até para a contemporaneidade, e acredita que a divulgação de sua obra na Flip deve ampliar as discussões.

“Eu acho que vai ser interessante a gente reler a obra dela buscando pensar hoje o que ela pode nos trazer. Porque, quando uma obra como a dela entra em circulação de novo na poesia de uma época, ela vai dizer coisas para essa época. E o que será que a Orides vai poder dizer para a gente agora?”

Garcia teve o primeiro contato com a obra de Orides durante um “momento mais formativo”, trabalhando em uma das edições de sua poesia reunida. “Eu estava lendo muito, conhecendo muitos poetas e começando a escrever também, e acho que foi muito impactante para a minha escrita”, relembra.

Marília Garcia afirma que a poesia de Orides Fontela oferece muitas camadas, e cita o caráter reflexivo, as questões existenciais e o humor. Ela destaca uma grande temática dentro da poesia oridiana: a palavra.

“Ela mostra que a gente pensa com a linguagem. Que não existe um pensamento dissociado da materialidade da língua, dos recursos, no caso dela, dos recursos da poesia.”

Como assistir às mesas da Flip?

  • Pessoalmente, no Centro Histórico de Paraty: o acesso às mesas com os autores, que acontecem no Auditório da Matriz, é por meio de ingressos adquiridos previamente, mas é possível assistir às transmissões de forma gratuita pelo telão da Praça Aberta. Todas as mesas do Programa Principal contam com interpretação em Libras, audiodescrição e tradução simultânea para o público do Auditório da Matriz. Na Casa Patrimônio, no Largo da Santa Rita, as mesas do Programa Principal são transmitidas ao vivo gratuitamente e em língua portuguesa, quando a tradução for necessária.
  • De forma remota: o Programa Principal conta com transmissão gratuita ao vivo pelo YouTube da Flip, e também no canal fechado de TV Arte1.

*A repórter viajou a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flip 2026.



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