Now Reading:

Flip 2026: segundo dia tem ucranianos, peça de Denise Stoklos e Andréa Del Fuego; confira agenda

Share Page
julho 23, 2026
9 Min Read

Flip 2026: segundo dia tem ucranianos, peça de Denise Stoklos e Andréa Del Fuego; confira agenda


Nos outros dias, o festival tem a última atração começando às 19h, com exceção do domingo (26), em que o encerramento é a mesa que acontece às 15h30. Todas as mesas da Flip são nomeadas com versos de Orides Fontela que se relacionam ao debate.

A quinta começa com dois poetas publicados pela Círculo de Poemas, da editora Fósforo. Edimilson de Almeida Pereira também é ensaísta, ficcionista e autor de literatura infantojuvenil. Entre os títulos do escritor brasileiro, estão ‘A morte também aprecia o jazz’ e ‘Entre Orfe(x)u e Exunouveau’. Ele divide a mesa 2, ‘Saber de cor o silêncio‘, com o português José Tolentino de Mendonça.

Nascido na Ilha da Madeira, Tolentino foi nomeado cardeal pelo papa Francisco — ele participou do conclave e foi um dos nomes cotados para o papado em 2025, quando Robert Prevost foi escolhido e se tornou Leão XIV. Seu livro de poemas publicado no Brasil chama-se ‘Os enigmas singulares: antologia poética’.

Edimilson e Tolentino conversam às 10h sobre linguagem poética, enigma e identidade, com mediação de Sofia Mariutti, que é poeta, tradutora e editora.

Edimilson de Almeida Pereira e José Tolentino de Mendonça participam de mesa na Flip 2026. — Foto: Divulgação

A próxima mesa, ‘Não vim. Não vi. Não havia guerra alguma‘, é ao meio dia, e junta dois autores ucranianos. Andrei Kurkov, que nasceu na Rússia e vive na Ucrânia, um dos maiores nomes da literatura ucraniana contemporânea, com obra traduzida para 45 idiomas. No Brasil, seu livro ‘Ucrânia: diário de uma guerra’ está publicado pela Carambaia.

Junta-se a ele a escritora Maria Reva, que nasceu na Ucrânia e cresceu no Canadá. Foi publicada em terras brasileiras pela editora DBA, que trouxe neste ano seu romance ‘Extinção’, indicado ao Booker Prize de 2025 e vencedor do Atwood Gibson Writers’ Trust Fiction Prize.

Os autores conversam sobre seus livros, que tematizam a guerra na Ucrânia, discutindo sobre como narrar grandes conflitos e os dilema éticos envolvidos nesta escolha. A mediação é feita pela jornalista Laura Capelhuchnik.

Os escritores Andrei Kurkov e Maria Reva participam de mesa da Flip 2026. — Foto: Divulgação

À tarde, o debate na mesa 4 é com as escritoras brasileiras Andréa del Fuego e Paulliny Tort, em ‘Mas para que serve o pássaro? o pássaro não serve‘, que acontece às 15h. Consideradas “duas das mais inventivas ficcionistas brasileiras da atualidade” pela curadoria da Flip, as autoras devem abordar a capacidade de fabulação e a função da literatura, com mediação da jornalista Micheline Alves.

Publicada pela Companhia das Letras, a paulistana Andréa del Fuego foi premiada em 2008 com o Literatura Para Todos, do ministério da Educação. Também ganhou o Prêmio José Saramago por ‘Os Malaquias’, que foi lançado em onze países. Seu sucesso ‘A pediatra’ foi tem edições em Portugal, Argentina, Eslováquia, Suécia e Grécia, além de ter ganhado adaptações para o teatro e para o cinema, a última ainda em desenvolvimento.

Já Paulliny Tort, atualmente publicada pela editora Fósforo, tem sido elogiada por ‘Os imortais’, romance ambientado na Pré-história em que narra os estranhamentos e transformações vindas do encontro entre um clã de neandertais e outro de homo sapiens. A escritora brasiliense também lançou ‘Erva brava’ e ‘Allegro ma non troppo’ (este pela editora Oito e Meio). Paulliny foi semifinalista do prêmio Oceanos de Literatura, vencedora do prêmio APCA e finalista do Jabuti.

As escritoras Andréa del Fuego e Paulliny Tort participam de mesa na Flip 2026. — Foto: Divulgação

A mesa das 17h terá o escritor italiano Andrea Bajani, que no Brasil publicou ‘O aniversário’ pela Companhia das Letras — vencedor do Prêmio Strega, principal da Itália –, e a autora brasileira Maria Esther Maciel, que lançou pela Todavia ‘Pequena enciclopédia dos seres comuns’ e ‘Essa coisa viva’, semifinalista do Prêmio Oceanos.

Em ‘A infância volta devagarinho‘, ambos discutem o amor compulsório entre pais e filhos e fazem uma revisão da relação familiar. A mediação é da jornalista e escritora portuguesa Anabela Mota Ribeiro.

Andrea Bajani e Maria Esther Maciel participam de mesa na Flip 2026. — Foto: Divulgação

O escritor argelino Kamel Daoud se junta a Djaimilia Pereira de Almeida, escritora portuguesa nascida em Angola, na mesa das 19h, chamada ‘Falo do que impede o sono‘, em uma conversa mediada pela jornalista Adriana Ferreira Silva sobre esquecimento, luto e dever de memória.

Djaimilia Pereira de Almeida é publicada no Brasil pela editora Todavia. ‘Esse cabelo’, seu primeiro romance, foi finalista do PEN/America Translation Prize. O livro ‘Luanda, Lisboa, Paraíso’, foi vencedor dos prêmios Oceanos, Fundação Eça de Queiroz e Fundação Inês de Castro. ‘A visão das plantas’ foi um dos vencedores do prêmio Oceanos. Djaimilia é colunista das revistas Quatro Cinco Um e ZUM, e também escreve para o jornal Observador.

Exilado na França desde 2023, o escritor e jornalista franco-argelino Kamel Daoud foi condenado a três anos de prisão e multado em cinco milhões de dinares argelinos por um lei que proíbe textos que evoquem “as feridas da tragédia nacional” da guerra civil na Argélia, retratada no livro ‘Língua interior’. Publicado no Brasil pela editora DBA, o romance narra a vida de uma mulher que sobreviveu a um massacre que dizimou sua família durante a guerra civil argelina, mas traz no pescoço a cicatriz de degolamento que não a matou, mas tirou sua voz.

Daoud também vnceu o Prêmio Goncourt de Melhor Primeiro Romance com outro de seus livros lançados no Brasil, ‘O caso Meursault’, da Biblioteca Azul. O romance traduzido para cerca de quarenta idiomas traz uma releitura do clássico ‘O estrangeiro’, de Albert Camus, com o ponto de vista do irmão do homem árabe assassinado por Meursault.

Djaimilia Pereira de Almeida e Kamel Daoud participam de mesa na Flip 2026. — Foto: Divulgação

A última mesa da quinta-feira é uma apresentação teatral, que também acontece no Auditório da Matriz. Excepcionalmente às 21h, ‘Do livro ao palco: Dalton, que tinha um cachorro‘, marca a estreia do espetáculo com a atriz Denise Stoklos que terá sessões por outras cidades do país.

A peça, inspirada na obra do escritor curitibano Dalton Trevisan, vencedor do Prêmio Camões, tem direção de Alessandra Maestrini e foi concebida junto à curadora da obra do escritor, Fabiana Faversani. O principal texto usado como base foi ‘Tiau, Topinho’, do livro ‘Dinorá’, em que Trevisan narra a morte de seu cachorro e como sentiu a perda.

Denise Stoklos conheceu a obra do Vampiro de Curitiba por meio da irmã, Dayse, que se correspondia com o escritor. A atriz e dramaturga que já se apresentou em mais de 30 países e é criadora do Teatro Essencial (que valoriza a expressão corporal e o uso mínimo de recursos cênicos), falou sobre o poder de concisão do escritor, fator que valoriza em seu teatro, e sua capacidade de “converter” a violência em ternura.

“Uma das questões que me atrai demais na obra de Dalton Trevisan é o quanto ele é sucinto e o quanto ele aborda questões das atrocidades da vida real e as converte em pura ternura e nos faz também encará-las de frente, vivendo toda a radiografia da humanidade com extrema crueza e amor.”

Na Flip 2026, Denise Stoklos apresenta espetáculo inspirado na obra de Dalton Trevisan, com direção de Alessandra Maestrini. — Foto: Divulgação

Começou nesta quarta-feira a 24º edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip. Durante cinco dias (22 a 26 de julho), a cidade recebe em seu Centro Histórico leitores e escritores de todo o mundo para celebrar os livros e a cultura. O evento teve sua primeira edição em 2003, e desde então trouxe centenas de autores premiados às famosas ruas de pedra da cidade fluminense.

São destaque de 2026 os escritores Andréa del Fuego, Bethânia Pires Amaro, Ana Paula Tavares — vencedora do Prêmio Camões do ano passado –, Katie Kitamura, Paulliny Tort, Kamel Daoud, Milton Hatoum, Ernesto Mané, Zadie Smith, ministra Cármen Lúcia e o médico Dráuzio Varella. Tradição da Flip, neste ano a autora homenageada é a poeta paulista Orides Fontela, cujos versos nomeiam as mesas do Programa Principal da festa literária.

A Flip conta ainda com 44 casas parceiras que oferecem um circuito paralelo, como a Casa Sesc, que traz a intelectual e ativista americana Angela Davis. Nomes como Valter Hugo Mãe, Socorro Acioli e Conceição Evaristo também participam de eventos extras.

Como assistir às mesas da Flip?

  • Pessoalmente, no Centro Histórico de Paraty: o acesso às mesas com os autores, que acontecem no Auditório da Matriz, é por meio de ingressos adquiridos previamente, mas é possível assistir às transmissões de forma gratuita pelo telão da Praça Aberta. Todas as mesas do Programa Principal contam com interpretação em Libras, audiodescrição e tradução simultânea para o público do Auditório da Matriz. Na Casa Patrimônio, no Largo da Santa Rita, as mesas do Programa Principal são transmitidas ao vivo gratuitamente e em língua portuguesa, quando a tradução for necessária.
  • De forma remota: o Programa Principal conta com transmissão gratuita ao vivo pelo YouTube da Flip, e também no canal fechado de TV Arte1.

*A repórter viajou a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flip 2026.



Source link

Visited 3 times, 1 visit(s) today