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Move Brasil: em um mês, programa de crédito para motoristas libera só 3% do valor prometido

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julho 24, 2026
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Move Brasil: em um mês, programa de crédito para motoristas libera só 3% do valor prometido


Apesar da promessa de liberar 30 bilhões de reais em créditos de financiamento automotivo para taxistas e motoristas de aplicativos, o programa Move Brasil só liberou pouco mais de 3% do esperado em pouco mais de um mês. O ritmo lento tem frustrado vendedores, que contavam com o programa para aquecer as vendas às vésperas do período eleitoral. O alto endividamento, as dificuldades de comprovar renda e a baixa adesão de grandes bancos são alguns dos principais entraves.

Pouco mais de um mês depois de lançado, o programa do governo federal para renovação de frota de taxistas e motoristas de aplicativos ainda enfrenta muitos empecilhos e tem gerado frustração em vendedores de concessionárias.

Dos 30 bilhões de reais em linhas de financiamento para carros novos disponibilizados via BNDES no programa Move Brasil Aplicativos, pouco mais de 1 bilhão foram aprovados desde 19 de junho. O ritmo tem frustrado vendedores, que esperavam que o programa aquecesse as vendas do segundo semestre do ano.

Renato dos Santos, é vendedor de uma loja da Hyundai na capital paulista e relata a frustração.

“Aqui não foi fechada nenhuma venda desde que começou essa história no Move Brasil e não conheço ninguém do mercado que tenha fechado. Pode ser que tenha acontecido um ou dois, pode, duvido.” –

O Move Brasil oferece financiamento com taxa de juros reduzida, prazo de até 6 anos e carência. O objetivo é renovar a frota dos taxistas e motoristas de aplicativo, mas o valor máximo dos carros contemplados é de 150 mil reais.

Os motoristas precisam comprovar cadastro ativo em plataformas de transporte há pelo menos um ano, com um mínimo de cem corridas realizadas no período.

Muitas montadoras chegaram a oferecer descontos em alguns carros para ampliar o leque de modelos aptos a serem comprados.

Lançado às vésperas da eleição, muitos lojistas contavam com o Move Brasil Aplicativos para compensar a queda em vendas tradicional no período eleitoral. Mas, muitos consumidores relatam que não tem tido acesso a crédito junto aos bancos, ou conseguem financiamento para valores muito baixos. Foi o que aconteceu com o motorista Gabriel Constancio.

“E aí a gente ficou sem ter um norte. Aí eu fui no Banco do Brasil, onde eu já tenho conta, e recusado. Qualquer veículo que eu colocar, qualquer simulação que eu coloco, dá recusado. A Caixa Econômica me liberou crédito de R$ 25.000. Entendeu? Não sei se é desinformação ou se é má vontade de algum gerente. Em três agências do Banco do Brasil para um cara me explicar como que é para ser feito. Já conversei com muitas pessoas que só liberaram 25 mil, então talvez seja algo de praxe já”

O economista e professor da Fundação Getúlio Vargas, Antônio Jorge Martins, explica que um dos fatores que podem estar travando o avanço do programa é o alto nível de endividamento dos brasileiros, já que o Move Brasil oferece melhores condições de financiamento, mas apenas se a pessoa já tem acesso a crédito no mercado. Por isso, a recomendação é buscar as melhores condições em diferentes instituições financeiras.

“Eu acho que vale a pena sempre buscar mais de uma alternativa. Os critérios de análise de risco por parte dos bancos, ele tem o mesmo fundamento, mas tem, muitas vezes, indicadores financeiros diferentes. Os bancos que já estão com alto grau de endividamento”

Um problema adicional é que apenas dez instituições financeiras aderiram ao programa. São elas: Banco do Brasil, Banrisul, Caixa, Sicoob, Sicred, Ailos, GM Financial, Volkswagen Financial Services, Banco Stellantis e Mobilize Financial Services. O Itaú afirmou à CBN que não tem interesse, no momento, de aderir ao Move Brasil, enquanto Bradesco e Santander não responderam aos questionamentos.

O economista da FGV também destaca que o perfil de renda dos taxistas e motoristas de aplicativo tende a ser outro entrave para o programa deslanchar, já que muitos não conseguem comprovar renda estável para os bancos.

Em nota à CBN, o BNDES informou que os critérios de aprovação do financiamento seguem a política de crédito de cada instituição financeira credenciada.

Para tentar acelerar o programa, o governo federal decidiu, no último dia 15, incluir veículos seminovos como opção de compra. Eles também tem preço limitado a 150 mil reais e precisam ter sido produzidos a partir de 2024. Já a linha de financiamento para entregadores de delivery por moto ou mototaxistas foi adiado para 27 de julho.

Para aderir ao programa, o motorista precisa se cadastrar na plataforma Gov.br e aguardar até 5 dias úteis. Neste prazo, o governo vai conferir se a pessoa atende a todos os requisitos. Depois de credenciado, o consumidor deve escolher o carro numa concessionária e ter o crédito aprovado junto às instituições que aderiram ao Move Brasil.

Especialistas recomendam que os consumidores estejam com o nome limpo e priorizem os bancos com os quais já tem relacionamento para facilitar a aprovação. Além disso, comprovantes como declaração de Imposto de Renda ou extratos bancários recentes e relatórios de ganhos emitidos pelas plataformas de transporte podem compensar a falta de um contracheque tradicional.



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