Flip 2026: quarto dia tem angolana vencedora do Camões, Angela Davis e Zadie Smith; confira agenda

O penúltimo dia da Festa Literária Internacional de Paraty deve ser um dos mais concorridos desta 24º edição. Os grandes destaques deste sábado (25) da programação principal são Ana Paula Tavares, poeta e historiadora angolana que venceu o Prêmio Camões de 2025; e a aclamada escritora britânica Zadie Smith, que entrou para a lista dos 100 Melhores Romances em Língua Inglesa da revista TIME, de 1923 a 2005, com seu livro ‘Dentes Brancos’.
A programação da Casa Sesc deve competir com a última atração por conta do conflito de horários. A instituição parceira da Flip traz a intelectual e ativista americana Angela Davis, grande pensadora do feminismo negro, antirracismo e expoente do abolicionismo penal, que fala às 18h.
O evento acontece no Sesc Caborê, com mediação da jornalista Flávia Oliveira. O local fica fora do Centro Histórico, onde acontece a Flip, mas a mesa será transmitida em um telão na Casa Sesc — local em que o evento aconteceria originalmente — para o público da Flip.
A intelectual e ativista Angela Davis. — Foto: Divulgação
Na programação oficial da Flip, a primeira mesa do dia acontece às 10h. Em ‘A saída é a volta‘, o escritor guatemalteco Eduardo Halfon conversa com Paloma Vidal, autora brasileira nascida na Argentina. Todas as mesas da programação principal da Flip são nomeadas com versos da autora homenageada, a poeta paulista Orides Fontela.
Nascido na Guatemala, Eduardo Halfon tem origem judaica, foi criado nos Estados Unidos e hoje mora em Berlim — escreve em espanhol apesar de ter o inglês como língua principal. Halfon publicou vinte obras de ficção que foram traduzidas para mais de quinze idiomas. ‘Tarântula’, seu romance mais recente, ganhou o Prêmio da Crítica Espanhola e o Prêmio Médicis de melhor romance estrangeiro na França. O título foi lançado no Brasil pela editora Autêntica Contemporânea.
Já Paloma Vidal, de ‘Mar azul’ (Rocco) e ‘Lugares onde eu não estou’ (7Letras), nasceu em Buenos Aires e vive no Brasil, com passagens pelos Estados Unidos e pela França, e escreve em português apesar de sua língua materna ser o espanhol. Ela é escritora, tradutora, e professora universitária.
Ambos são personagens de seus próprios romances e devem abordar seus seus projetos literários, deslocamentos e identidades. A mediação é da jornalista Gabriela Mayer, apresentadora do podcast Café da Manhã.
Eduardo Halfon e Paloma Vidal participam de mesa na Flip 2026. — Foto: Divulgação
O próximo debate começa ao meio-dia, com a 15º mesa: ‘Se o delírio te eleva à potência do abismo‘. Participam o crítico literário João Cezar de Castro Rocha , de ‘A era de Ricardo III – Memórias do subsolo: guerra cultural como método’ (Autêntica), e o psicanalista e tradutor Paulo Schiller, de ‘A paixão pela mentira’ (Todavia).
Os ensaístas devem debater o autoritarismo e a ascensão da extrema direita, com mediação da jornalista e escritora portuguesa Anabela Mota Ribeiro.
João Cezar de Castro Rocha e Paulo Schiller participam de mesa na Flip 2026. — Foto: Divulgação
Às 15h, acontece a mesa de Ana Paula Tavares, mediada pelo poeta Tarso de Melo, chamada ‘O boi é só. o boi é só. o boi‘. Vencedora do prêmio Camões 2025, a poeta, ensaísta e pesquisadora angolana vai falar de sua trajetória e de sua poesia, que fala da história de seu país e da vivência das mulheres, retratando o desejo feminino e negando a submissão.
A escritora coordena o grupo de investigação de Culturas e Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias, e colabora com o Arquivo Histórico Nacional de Angola.
Paula Tavares, que vive em Portugal, também deve abordar sua relação com o Brasil na mesa 16. Aqui, estão publicados a edição de poesia reunida ‘Amargos como os frutos’ (Pallas), ‘Um rio preso nas mãos: crônicas’ (Kapulana) e ‘Verbetes para um dicionário afetivo’ (Pallas). Na Flip, a poeta lança o livro de crônicas ‘O Sangue da Buganvília’ (Pallas).
A poeta e historiadora angolana Ana Paula Tavares, vencedora do Prêmio Camões. — Foto: Divulgação
Em seguida, às 17h, o escritor Hisham Matar se encontra virtualmente com Milton Hatoum na mesa ‘Não mais sabemos do barco, mas há sempre um náufrago‘, que tem mediação do jornalista Paulo Roberto Pires. Matar não pôde vir à Flip, mas participará da mesa por videoconferência.
Os escritores devem conversar sobre histórias de famílias que têm suas trajetórias alteradas por governos autoritários e a relação entre memória e literatura, política e ficção, escrita e liberdade.
Hisham Matar tinha 19 anos quando seu pai foi sequestrado pelo governo do ditador líbio Muammar Gaddafi e sumiu para sempre. Filho de pais líbios, Matar nasceu nos Estados Unidos, passou a infância em Trípoli e no Cairo, e viveu a maior parte da vida em Londres.
Com obra traduzida para mais de trinta idiomas, Matar é autor de livros premiados, como ‘No país dos homens’ (Companhia das Letras), que foi finalista do Booker Prize, ‘O retorno’ (Âyiné), vencedor do Prêmio Pulitzer, e ‘Meus amigos’ (Âyiné), indicado ao Booker Prize e finalista do National Book Award. Também ganhou o Prêmio Orwell de Ficção Política, o Prix du meilleur livre étranger e o National Book Critics Circle Award.
Membro da Academia Brasileira de Letras, o escritor manauara Milton Hatoum teve seus livros publicados em 17 países, com mais de 500 mil exemplares vendidos. Suas obras, que são editadas pela Companhia das Letras, já foram adaptadas para o cinema e receberam prêmios importantes dentro e fora do Brasil. ‘
Relato de um certo Oriente’ foi laureado com o Prêmio Jabuti de Melhor Romance, assim como seus romances ‘Dois irmãos’ e ‘Cinzas do Norte’, que também venceu o Grande Prêmio da Crítica APCA e o Prêmio Portugal Telecom. Sua trilogia ‘O Lugar Mais Sombrio’ narra o desaparecimento de uma mãe ocorrido durante a ditadura militar brasileira.
Hisham Matar e Milton Hatoum participam de mesa da Flip 2026. — Foto: Divulgação
O encerramento fica por conta da renomada escritora inglesa Zadie Smith, que é entrevistada às 19h pela ensaísta e escritora Juliana Borges na mesa ‘E este chão não existe, e esta paz é vertigem‘.
No Brasil, Smith publicou pela editora Companhia das Letras os romances ‘Dentes brancos’, ‘Sobre a beleza’ e ‘A Fraude’. Durante a mesa, a vencedora do Women’s Prize for Fiction fala sobre sua obra e temas como colonialismo, imigração e racismo.
Zadie Smith participa de mesa na Flip 2026. — Foto: Divulgação
Começou nesta quarta-feira a 24º edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip. Durante cinco dias (22 a 26 de julho), a cidade recebe em seu Centro Histórico leitores e escritores de todo o mundo para celebrar os livros e a cultura. O evento teve sua primeira edição em 2003, e desde então trouxe centenas de autores premiados às famosas ruas de pedra da cidade fluminense.
São destaque de 2026 os escritores Andréa del Fuego, Bethânia Pires Amaro, Ana Paula Tavares — vencedora do Prêmio Camões do ano passado –, Katie Kitamura, Paulliny Tort, Kamel Daoud, Milton Hatoum, Ernesto Mané, Zadie Smith, ministra Cármen Lúcia e o médico Dráuzio Varella. Tradição da Flip, neste ano a autora homenageada é a poeta paulista Orides Fontela, cujos versos nomeiam as mesas do Programa Principal da festa literária.
A Flip conta ainda com 44 casas parceiras que oferecem um circuito paralelo, como a Casa Sesc, que traz a intelectual e ativista americana Angela Davis. Nomes como Valter Hugo Mãe, Socorro Acioli e Conceição Evaristo também participam de eventos extras.
Como assistir às mesas da Flip?
- Pessoalmente, no Centro Histórico de Paraty: o acesso às mesas com os autores, que acontecem no Auditório da Matriz, é por meio de ingressos adquiridos previamente, mas é possível assistir às transmissões de forma gratuita pelo telão da Praça Aberta. Todas as mesas do Programa Principal contam com interpretação em Libras, audiodescrição e tradução simultânea para o público do Auditório da Matriz. Na Casa Patrimônio, no Largo da Santa Rita, as mesas do Programa Principal são transmitidas ao vivo gratuitamente e em língua portuguesa, quando a tradução for necessária.
- De forma remota: o Programa Principal conta com transmissão gratuita ao vivo pelo YouTube da Flip, e também no canal fechado de TV Arte1.
*A repórter viajou a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flip 2026.



