Flip 2026: último dia tem diplomata, poetas e autora de versão punk de Manaus; confira agenda

Se encerra neste domingo a 24º edição da Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty. Com programação sempre mais reduzida, o último dia conta com três mesas neste ano. No sábado, os destaques foram a poeta angolana Ana Paula Tavares — vencedora do prêmio Camões –, a escritora britânica Zadie Smith e Milton Hatoum, escritor brasileiro e membro da Academia Brasileira de Letras.
Às 10h, acontece a mesa 19: ‘A porta está aberta‘ — todas são nomeadas com versos da autora homenageada, Orides Fontela, no programa principal. O debate reúne o físico e diplomata Ernesto Mané e a poeta e professora francesa Ève Guerra, com mediação da jornalista Adriana Ferreira Silva. Os autores refletem em seus livros sobre a relação com a diáspora africana contemporânea.
Ernesto Mané é brasileiro e guineense, nascido em João Pessoa. Em 2019, foi reconhecido pelo Mipad (Most Influential People of African Descent) entre os cem afrodescendentes mais influentes do mundo com menos de quarenta anos. Como diplomata, serviu na Embaixada do Brasil em Washington, DC, entre 2021 e 2025, e atualmente está na Embaixada do Brasil em Buenos Aires. Publicou seu primeiro livro, ‘Antes do início’, pela editora Tinta-da-China Brasil, em que narra a viagem que fez à Guiné-Bissau para conhecer a família de seu pai.
Ève Guerra nasceu na República do Congo, de onde fugiu durante uma guerra civil, aos nove anos de idade. Foi finalista de doze prêmios literários nacionais e internacionais, incluindo o Prix de la Version Femina, o Prix des Cinq e o Prix Québec-France Marie-Claire Blais. Em ‘Repatriação’, publicado pela Companhia das Letras no Brasil, fala sobre a experiência de repatriar o corpo do pai do Congo para a Europa. A obra foi premiada com o Transfuge de Melhor Primeiro Romance e o Prêmio Goncourt de Primeiro Romance.
Ernesto Mané e Ève Guerra participam de mesa na Flip 2026. — Foto: Divulgação
Ao meio dia, o poeta Leonardo Gandolfi se junta à contista e ensaísta Mateus Baldi em ‘Nunca crer no que não canta‘. A mediação é do jornalista Fernando Luna, em um “encontro sobre poemas, canções e cidades, e o que resulta daí”.
Leonardo Gandolfi é carioca e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Seu livro ‘Pote de mel e outros poemas’, da Editora 34, recebeu o prêmio da Biblioteca Nacional.
Mateus Baldi é escritora e jornalista. Publicou os livros de contos ‘Formigas no paraíso’ (Faria e Silva) e ‘Os anos de vidro’ (Nós), que recebeu o prêmio APCA. Em 2026, a autora lança ‘Caetano Veloso: Transa’, pela editora Cobogó.
Leonardo Gandolfi e Mateus Baldi participam de mesa na Flip 2026. — Foto: Divulgação
O fim da Flip acontece com a mesa das 15h30, ‘O que faço desfaço, o que amo desamo‘, com as escritoras Eva Baltasar e Susy Freitas, que “esgarçam os estereótipos do feminino e colocam suas personagens em situações-limite de sustentação do próprio desejo”. A mediação é de Micheline Alves.
A autora catalã Eva Baltasar escreveu uma trilogia (publicada no Brasil pela Dublinense) sobre desconforto e maternidade com ‘Permafrost’, finalista do Prêmio Médicis Étranger de 2021 e do Prêmio Llibreter de 2018, traduzido para mais de vinte idiomas; ‘Boulder’, finalista do Prêmio Internacional Booker, do Prêmio Les Inrockuptibles e do Prêmio Òmnium de Melhor Romance em Catalão, e ‘Mamute’.
A amazonense Susy Freitas publicou contos e poemas em zines, revistas e antologias no Brasil, México e Grécia. Como poeta, lançou os livros ‘Véu sem voz’ (Bartlebee), ‘Alerta Selvagem’ (Patuá), vencedor do Prêmio Violeta Branca Menescal (Prêmio Literário Cidade de Manaus), e ‘Carrego meus furos comigo’ (Urutau).
Na prosa, publicou o livro de contos ‘Madnaus’ (Reformatório) e neste ano de 2026 está lançando ‘No baile do juízo final’ (Todavia), em que retrata uma Manaus queer e punk onde um grupo se junta para praticar pequenos atos de “terrorismo arquitetônico” como intervenções em igrejas, ataques a políticos corruptos, e rituais que combinam magia, arte e sexo.
Eva Baltasar e Susy Freitas participam de mesa na Flip 2026. — Foto: Divulgação
Começou nesta quarta-feira a 24º edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip. Durante cinco dias (22 a 26 de julho), a cidade recebe em seu Centro Histórico leitores e escritores de todo o mundo para celebrar os livros e a cultura. O evento teve sua primeira edição em 2003, e desde então trouxe centenas de autores premiados às famosas ruas de pedra da cidade fluminense.
São destaque de 2026 os escritores Andréa del Fuego, Bethânia Pires Amaro, Ana Paula Tavares — vencedora do Prêmio Camões do ano passado –, Katie Kitamura, Paulliny Tort, Kamel Daoud, Milton Hatoum, Ernesto Mané, Zadie Smith, ministra Cármen Lúcia e o médico Dráuzio Varella. Tradição da Flip, neste ano a autora homenageada é a poeta paulista Orides Fontela, cujos versos nomeiam as mesas do Programa Principal da festa literária.
A Flip conta ainda com 44 casas parceiras que oferecem um circuito paralelo, como a Casa Sesc, que traz a intelectual e ativista americana Angela Davis. Nomes como Valter Hugo Mãe, Socorro Acioli e Conceição Evaristo também participam de eventos extras.
Como assistir às mesas da Flip?
- Pessoalmente, no Centro Histórico de Paraty: o acesso às mesas com os autores, que acontecem no Auditório da Matriz, é por meio de ingressos adquiridos previamente, mas é possível assistir às transmissões de forma gratuita pelo telão da Praça Aberta. Todas as mesas do Programa Principal contam com interpretação em Libras, audiodescrição e tradução simultânea para o público do Auditório da Matriz. Na Casa Patrimônio, no Largo da Santa Rita, as mesas do Programa Principal são transmitidas ao vivo gratuitamente e em língua portuguesa, quando a tradução for necessária.
- De forma remota: o Programa Principal conta com transmissão gratuita ao vivo pelo YouTube da Flip, e também no canal fechado de TV Arte1.
*A repórter viajou a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flip 2026.



