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Itamaraty nega pedido de vistos a funcionários do governo Trump que questionariam processo eleitoral

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julho 26, 2026
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Itamaraty nega pedido de vistos a funcionários do governo Trump que questionariam processo eleitoral


O Ministério das Relações Exteriores negou os pedidos de visto solicitados pelos diplomatas Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente do Departamento de Estado dos Estados Unidos que seriam enviados pelo governo dos Estados Unidos, segundo o jornal “The Washington Post”, para questionar a transparência e a integridade do processo eleitoral brasileiro.

As informações foram confirmadas à CBN com fontes no Itamaraty.

A expectativa era de que os representantes do governo de Donald Trump deixassem os Estados Unidos rumo ao Brasil nos próximos dias.

A manobra do Itamaraty condiz com as informações repassadas ao jornal norte-americano por dois diplomatas brasileiros que disseram, em anonimato, terem tomado conhecimento da manobra norte-americana e prometeram agir para impedir que os enviados intervenham no processo interno.

Eles afirmaram suspeitar que os americanos vão se encontrar com brasileiros críticos do sistema eleitoral nacional e produzir relatórios que possam ser utilizados futuramente para questionar o processo de votação. Funcionários do Departamento de Estado Norte Americano ouvidos pelo “The Washington Post” também foram críticos à viagem. Eles afirmaram, também sob condição de anonimato, que “é extremamente nocivo ver o secretário usar o poder americano para minar eleições confiáveis ​​em outras nações por motivos ideológicos”.

Segundo o jornal americano, Samuel Samson, da delegação do Departamento de Estado dos Estados Unidos, é conhecido por viajar por diversos países promovendo a pauta conservadora e cultivando laços com grupos da direita, o que, em ocasiões anteriores gerou atritos com diplomatas e políticos tradicionais.

Em nota enviada ao jornal, o Departamento de Estado dos EUA havia confirmado a viagem dos diplomatas para Brasília, mas não respondeu às perguntas sobre o propósito da missão ou sobre eventuais preocupações com a integridade eleitoral brasileira.

A pretensão de viagem dos funcionários de Donald Trump veio à tona na mesma semana em que o pré-candidato a presidente da República, Flávio Bolsonaro, pediu a representantes diplomáticos estrangeiros que enviem observadores internacionais ao país após levantar suspeitas sobre as urnas eletrônicas com base em informações falsas e desmentidas pelo Supremo Tribunal Eleitoral.

Na declaração, feita no evento “Debatendo o Brasil”, Flávio Bolsonaro mencionou dados inverídicos sobre a empresa venezuelana Smartmatic, que aparece em documentos da CIA divulgados pelo governo Trump na semana passada, e afirmou que equipamentos da empresa teriam sido utilizados nas eleições do Brasil. Flávio pediu também que todos os países mandem a maior quantidade de observadores possíveis para as eleições brasileiras.

Ainda em 2018, o TSE esclareceu que a Smartmatic, empresa citada por Flávio, não fornece nem nunca forneceu as urnas eletrônicas brasileiras.

Na avaliação do advogado especialista em direito eleitoral, Alberto Rollo, a medida se insere em um contexto político mais amplo e reacende debates sobre a confiança no processo eleitoral brasileiro.

‘Tem uma resolução do TSE que prevê a participação desses observadores eleitorais, todos eles são observadores eleitorais, mas normalmente são convidados, fica bastante evidente que houve uma combinação aí de de ações de atitudes, quer dizer, na semana em que ele participou de uma palestra, se eu não me engano, pede o envio de observadores e isso é feito pelo governo norte-americano, acho que fica evidente isso. Então, parece que isso é mais uma jogada de marketing político para auferir algum tipo de dividendo eleitoral. A gente volta naquela situação da eleição de 22 de descrédito, de tentativa de descrédito das urnas eleitorais. É o mesmo discurso’.

A postura atual do governo dos Estados Unidos diverge do posicionamento adotado nas eleições brasileiras de 2022, quando o país norte-americano era liderado pelo democrata Joe Biden. Na época, o governo americano atuou para reforçar a estabilidade democrática e impedir discursos golpistas com créditos à segurança do sistema de urnas eletrônicas do Brasil.



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