Flip 2026 entregou experiência rica com grandes convidados, apesar de transtornos por lotação em Paraty

As casas parceiras, inclusive, foram responsáveis por trazer alguns dos convidados mais populares entre o público. É o caso da Casa Sesc, que teve a ativista e intelectual Angela Davis em uma mesa com a colunista da CBN Flávia Oliveira neste sábado (25). O evento, que aconteceu no Sesc Caborê, teve todos os 700 ingressos retirados, e ainda teve público assistindo pelo telão no Centro Histórico de Paraty e 2 mil visualizações pelo YouTube do Sesc.
O evento, que começou com atraso e foi marcado por alguns problemas técnicos, empolgou a plateia. Angela Davis abordou diversos temas a partir de perguntas relacionadas a intelectuais negros, como Lélia Gonzalez e Milton Santos. Um momento de comoção foi quando a ativista relembrou o período em que foi presa em 1970, acusada injustamente de assassinato e conspiração.
Davis foi salva da pena de morte graças a uma mobilização global, com protestos em diversos países pedindo sua libertação. No Sesc, a ativista afirmou que o episódio ensinou a ela uma lição:
“Quando as pessoas se unem, ultrapassando fronteiras nacionais, podemos enfrentar até mesmo as figuras mais poderosas do mundo. Porque eles estavam convencidos de que eu seria executada. E milhões de pessoas, sabe, eu poderia citar lugares no mundo todo, disseram: não, não permitiremos que nossa irmã seja executada.”
Debates com Socorro Acioli, Itamar Vieria Júnior, Valter Hugo Mãe e Carla Madeira também lotaram os espaços parceiros da Flip no Centro Histórico, formando grandes filas.
Já a programação principal da Flip, que teve mais de 35 autores convidados, foi dedicada à poeta Orides Fontela, autora homenageada deste ano. Todas as mesas foram nomeadas com versos da poeta paulista que morreu em 1998. Antes de cada mesa, o poema correspondente ao verso era tocado para o público a partir dos audiobooks da Skeelo.
Mesas como as da ministra Cármen Lúcia e do médico Drauzio Varella lotaram o Auditório da Matriz, com muito entusiasmo e aplausos do público. A Flip teve ainda a vencedora do Prêmio Camões de 2025, a poeta angolana Ana Paula Tavares, o escritor argelino Kamel Daoud, a britânica Zadie Smith — que, de acordo com a curadora Rita Palmeira, foi convidada para a Flip diversas vezes mas somente agora aceitou –, uma peça inédita de Denise Stoklos baseada nos contos de Dalton Trevisan, e o cardeal português José Tolentino, nomeado pelo papa Francisco, que é poeta.
O festival também teve programação com parte dos escritores do circuito principal para as crianças, com a Flipinha, e para os adolescentes, na Flipzona, junto com oficinas criativas e atividades de contação de histórias.
Apesar de alguns transtornos com a lotação em Paraty, como as longas filas em restaurantes, problemas de conexão de internet e uma queda de energia no segundo dia do festival, a Flip teve momentos importantes e reuniu um grande público no Centro Histórico, tanto para aproveitar os encontros em torno da literatura e da cultura, quanto para viver a cidade.
*A repórter viajou a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flip 2026.



