Campanha de Flávio já traça estratégia para eventual segundo turno contra Lula

A campanha do senador e candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, já começou a desenhar a estratégia para um eventual segundo turno contra o presidente Lula, do PT. A avaliação dos marqueteiros é de que uma nova etapa da disputa “zera a eleição”, abrindo espaço para a reorganização das alianças e da comunicação.
Sem conseguir atrair apoios importantes do Centrão para o primeiro turno, a expectativa da equipe é de que esse cenário mude em uma eventual disputa final. A aposta é que candidatos de direita que hoje concorrem ao Palácio do Planalto passem a apoiar Flávio, consolidando o campo conservador em torno de uma única candidatura.
Uma pesquisa qualitativa interna encomendada pelo PL indica que, em um eventual segundo turno, nove em cada dez eleitores de Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) migrariam automaticamente para Flávio Bolsonaro. Já entre os eleitores de Renan Santos (Missão), o percentual cairia para 64%. O levantamento faz parte dos chamados trackings internos das campanhas, pesquisas de consumo exclusivo dos partidos que, por não serem divulgadas publicamente, não precisam de registro na Justiça Eleitoral e são utilizadas para orientar decisões estratégicas.
Nos bastidores, Flávio Bolsonaro classificou como “uma vitória” o resultado da última pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira, que mostrou Lula com 48% das intenções de voto contra 43% do senador em um eventual segundo turno. A avaliação da campanha é de que, diante da sequência de desgastes enfrentados nas últimas semanas, manter estabilidade com uma diferença de cinco pontos para o atual presidente é um resultado que mantém a disputa aberta e demonstra resiliência da candidatura.
Como a CBN mostrou, a orientação dos marqueteiros também é ampliar o espaço para temas ligados à economia e à segurança pública, considerados mais próximos da realidade do eleitor. Essa foi a principal recomendação feita à campanha antes da convenção nacional do PL, realizada no último sábado. Reservadamente, aliados admitiram à CBN que “esperavam mais” do discurso de Flávio, que voltou a concentrar boa parte da fala em críticas ao PT e na defesa do legado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A avaliação interna é de que o senador precisará ajustar o discurso tanto nas redes sociais quanto nas agendas de rua para ampliar o alcance da candidatura além do eleitorado bolsonarista mais fiel.



