Entenda como eclipse solar no Ceará ajudou a cientistas comprovarem teoria da relatividade de Einstein

Diversos países do mundo terão oportunidade de ver um eclipse solar nesta quarta-feira (12). Entre eles estão a Groenlândia, Islândia, Portugal e norte da Espanha.
De acordo com os pesquisadores, ainda há uma chance remota de ver no norte da África, norte dos Estados Unidos e Canadá, além de algumas outras partes da Europa, como Reino Unido, Itália e mais.
Além da beleza dos astros, o eclipse solar também é uma oportunidade de pesquisa para cientistas. E isso será feito nesta quarta, quando pesquisadores tentarão estudar o sol e a coroa solar de maneira mais profunda.
Anteriormente, outros eclipses ajudaram a resolver questões da ciência. Talvez o momento mais marcante neste sentido tenha sido a confirmação da teoria da relatividade de Albert Einstein durante observação do fenômeno em 1919.
Como eclipse solar no Ceará ajudou a cientistas comprovarem teoria da relatividade
Fotos tiradas por astrônomo Arthur Eddington no eclipse solar de 1919. — Foto: Reprodução/SCIENCE PHOTO LIBRARY
O físico alemão Albert Einstein havia divulgado sua famosa teoria em 1915, que se difundiu mundialmente entre cientistas a partir do ano seguinte, com o livro ‘Relativity: The Special and the General Theory’ (Relatividade: A Especial e a Teoria Geral).
Nele, o pesquisador defendida a ideia, considerada amplamente revolucionária, de que a gravidade não só traz e atrai objetos, mas tem a capacidade de deformar tempo, espaço e até mudar o caminho da luz.
A teoria ainda era alvo de dúvidas pela academia. Por isso, o eclipse solar de 1919 oferecia a oportunidade única de tentar desmentir ou confirmar sua teoria já que, se estivesse certa, a luz vinda das estrelas faria uma curva ao passar pela gravidade solar.
O astrônomo britânico Arthur Eddington, então, realizou uma observação através da ilha do Príncipe, na costa oeste da África. Além disso, outra observação também foi feita em Sobral, no Ceará, onde foi possível ver o eclipse.
Essas análises foram organizadas pela Royal Society e pela Royal Astronomical Society. Os cientistas realizaram fotos das estrelas próximas comparando sua posições anteriores.
O eclipse ocorreu em maio. Alguns meses depois, em novembro daquele ano, o resultado veio à tona: Einstein estava correto em sua teoria, já que os desvios provocados pela gravidade eram bem similares ao que ele havia dito anteriormente.
O caso mudou completamente a carreira do físico e criou um novo patamar para a ciência.
Apesar disso, ainda existiam críticas sobre como foram realizadas as medições. Confirmações completas da teoria ocorreram mais recentemente, em 1989 e 1993, através do satélite Hipparcos, da agência especial europeia, podendo medir com precisão a posição e movimento das estrelas.
Desde então, a teoria ficou completamente aceita e virou um dos cânones da física quântica e fundamental para observação dos astros.
Imagem do eclipse solar visto da missão Artemis II. — Foto: Divulgação/NASA



