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Livros brasileiros traduzidos movimentam milhões de dólares nas principais feiras literárias do mundo

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agosto 15, 2026
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Livros brasileiros traduzidos movimentam milhões de dólares nas principais feiras literárias do mundo


No primeiro semestre de 2026, as 80 editoras apoiadas pelo Brazilian Publishers movimentaram oito milhões de dólares em negócios internacionais nas principais feiras literárias do mundo. A venda de direitos de livros — mecanismo que permite a tradução das obras — representou 44,65% do total negociado em 2026, consolidando um crescimento contínuo quando comparado aos 30% registrados em 2025 e aos 17% de 2024.

Criado em 2008, o projeto Brazilian Publishers tem como objetivo disseminar a literatura nacional no mercado editorial global. Nesse sentido, alguns incentivos têm alavancado a exportação de conteúdo brasileiro nos últimos anos.

Para Sevani Matos, presidente da Câmara Brasileira do Livro, o montante e a ampliação das vendas se explicam pela atuação presencial de editoras e agentes literários em eventos mundiais.

“O mercado internacional vem valorizando cada vez mais a compra de direitos porque ela permite que a obra seja adaptada e publicada localmente no idioma do leitor por editoras que conhecem profundamente seus mercados. Ao mesmo tempo, o setor editorial brasileiro se tornou mais proativo na apresentação de seus catálogos internacionais. Outro fator importante é o crescente interesse internacional pela diversidade da produção brasileira, que inclui literatura infantil e juvenil, ficção, não-ficção e conteúdos especializados.”

Iniciativas de apoio também desempenham papel fundamental, como o Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior, da Fundação Biblioteca Nacional, que já viabilizou cerca de 1.500 publicações em mais de 70 países.

Na prática, o impacto desse investimento alcança tanto os editores quanto o público leitor. Amanda Orlando, editora da Globo Livros, explica que a participação no projeto fortalece a presença dos autores brasileiros lá fora, gerando reflexos positivos até mesmo dentro do Brasil.

“A gente faz isso até como uma força para os nossos autores, não é o serviço fim da editora, mas como a gente está sempre nas feiras literárias, a gente tem esse contato muito próximo com a CBL. Claro, para a gente é bacana o nosso autor ser publicado lá fora; mesmo ele sendo brasileiro, ele acaba ganhando mais um destaque aqui no Brasil. A gente sabe que as pessoas olham com outros olhos quando um autor faz sucesso internacionalmente. Para a gente é muito interessante e para o nosso negócio também, claro, a gente quer ver nossos autores publicados, vendendo livros, felizes.”

Feira Internacional do Livro de Bogotá — Foto: FILBo/Divulgação

Esse interesse global é evidenciado em feiras estratégicas pela Europa, América Latina e Oriente Médio. Na Colômbia, por exemplo, a Feira Internacional do Livro de Bogotá seguiu essa tendência de aproximação.

Adriana Ángel, diretora do evento, observa o interesse do público local em quadrinhos, literatura infantojuvenil, narrativa e poesia brasileira — ressaltando a necessidade de intensificar esses fluxos.

“Temos que propiciar a circulação de pessoas entre os dois países, não só para ser maior, mas a frequência disso também é muito importante. E também acredito que temos que propiciar mais traduções. É muito importante que os livros em português possam ser traduzidos cada vez mais para o espanhol e vice-versa.”

E é exatamente na ponta final dessa cadeia de traduções e difusão que o impacto da literatura brasileira ganha rostos e vozes globais. A americana Courtney Henning Novak conheceu os clássicos brasileiros ao propor a si mesma o desafio de ler uma obra de cada um dos quase 200 países do mundo, em ordem alfabética. Logo na letra “B”, chegou ao Brasil e se encantou por “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis.

A influenciadora americana Courtney Henning Novak fez vídeos sobre livros brasileiros. — Foto: Reprodução

Ao publicar um vídeo classificando o livro como “o melhor já escrito”, a criadora de conteúdo viralizou, leu Dom Casmurro, defendeu Capitu e passou a seguir as indicações de leitores.

Ela já leu mais de 30 livros de autores brasileiros — todos em tradução para o inglês —, vivenciando de perto como o acesso às obras traduzidas transforma a percepção do leitor estrangeiro.

“Meu Deus, eu li tantos. Eu comecei com Memórias Póstumas de Brás Cubas e leitores entusiastas insistiram que, se você lê esse, você também precisa ler Dom Casmurro. E depois de Dom Casmurro era tipo: ‘bom, você precisa conhecer Clarice Lispector!’. Depois de ler os clássicos, acho que o primeiro livro contemporâneo brasileiro que eu li foi Torto Arado, do Itamar Vieira Júnior. Acho que, a essa altura, eu provavelmente já li mais de 30 autores.”

Convidada de destaque para a Bienal Internacional do Livro de São Paulo de 2026, a leitora americana Courtney Novak celebra a oportunidade de vivenciar o mercado literário brasileiro de perto. “Estou tão animada, a Bienal de São Paulo é a minha Disneylândia.”



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