AO VIVO: STF retoma às 15h sessão que analisa relatório da PF sobre relação entre Moraes e Vorcaro

O Supremo Tribunal Federal analisa, nesta terça-feira (15), o relatório da PF que apontou que Alexandre de Moraes trocou 52 mensagens com Daniel Vorcaro, ex-dono do Master preso por fraudes financeiras bilionárias.
Essa é a primeira vez que os ministros decidem se abrem ou não uma investigação contra um colega.
A sessão plenária foi suspensa e será retomada às 15h. Na primeira etapa, que começou por volta de 10 horas da manhã, o ministro Alexandre de Moraes disse ter provas e testemunhas de que o colega, o também ministro André Mendonça, tentou influenciar em colaborações premiadas para incluir o nome de Moraes entre os delatados do caso Master.
Daniel Vorcaro, por duas vezes, ofereceu colaboração premiada, tanto para a Polícia Federal como para a Procuradoria Geral da República, e teve essas delações rejeitadas.
A fala de Moraes ocorreu quando os ministros avaliavam a atuação da Polícia Federal nas apurações sobre o Master e a relação de Daniel Vorcaro com o próprio ministro Alexandre de Moraes, que queria que fossem analisados, junto nessa mesma sessão, o relatório de inteligência apócrifo da Polícia Federal questionando a condução de André Mendonça no caso. Foi nesse momento, então, que Moraes acusou o colega de parcialidade na condução desse caso:
“E vamos trazer aqui, presidente, vamos trazer aqui e chamar aqui testemunhas que eu vou indicar, não só policiais, advogados, testemunhas, eu tenho testemunhas, que o ministro André, em reunião, disse…”
“Isso é mentira.Mentira”.
“Então vamos chamar testemunhas?”
“Vamos chamar? Vamos chamar?”
“Mentira. Pode chamar quem quiser.”
Além desse bate-boca, houve discussão também entre Gilmar Mendes e André Mendonça. Gilmar Mendes começou a sua fala criticando o afastamento do diretor da PF, André Rodrigues, que foi determinado por Mendonça e disse que qualquer pessoa, antes de fazer isso, deveria se algemar. O decano do STF também acusou Mendonça de usar o caso de forma política, soltando o relatório sobre Moraes e retirando o sigilo do caso às vésperas do 7 de setembro.
Mendonça também rebateu o colega e disse que o decano do Supremo estava sendo leviano:
“Que há um inequívoco viés político eleitoral na forma como o tema foi conduzido nos autos desta pé de 16/662. Escolha de data, 7 de setembro, todo esse cenário envolvendo esta corte em campanha eleitoral…”
“Vossa Excelência está sendo leviano, ministro Gilmar. De forma leviana. Leviano.”
‘Vossa Excelência não tem a palavra. Evidente condução político-eleitoral. E escolha do 7 de setembro, até bixulecos. Isso não se faz. Pessoas decentes não fazem isso”.
“Não aponte o dedo para mim, ministro Gilmar. Não aponte o dedo. Não está falando com qualquer um. Respeite esse tribunal”.
“Quem não se dá respeito, não merece respeito”
Um pouco depois dessa discussão, mais acalorada, o ministro Gilmar Mendes terminou uma questão de ordem que foi levantada pelo colega Flávio Dino. Depois, isso será debatido na volta do intervalo. O ministro Edson Fachin chamou o intervalo e no retorno, portanto, eles vão debater essas questões levantadas.



