Após Lula aceitar condições para abrir sigilos, Flávio discursa em Fortaleza e não cita o tema

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, discursou em um ato de campanha em Fortaleza nesta quarta-feira (21), depois de a campanha do presidente Lula, do PT, anunciar que aceita as condições impostas por ele para a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos dois candidatos. Em cerca de sete minutos de fala, no entanto, o senador não mencionou o tema.
Em cima de um carro de som, ao lado do deputado federal André Fernandes, do PL, Flávio concentrou os ataques no presidente e no PT, a quatro dias do segundo turno.
“Faltam só quatro dias para a gente tirar o Brasil do cativeiro, para a gente libertar o país da era do Lula, porque acabou para ele, acabou para o PT”, afirmou.
O candidato disse ainda que vai “aposentar o Lula” no domingo e rebateu o que chamou de fake news da campanha adversária, como a de que acabaria com o Bolsa Família e com direitos de aposentados. Também fez um aceno ao público LGBT e disse que, com ele, homossexuais “vão prosperar como todo cidadão brasileiro”.
Na segurança pública, Flávio prometeu que integrantes de facções “vão ser presos ou vão ser neutralizados pela polícia” e defendeu que menores de idade que cometem crimes respondam como adultos. Repetiu a defesa da castração química para condenados por estupro e abuso de crianças e propôs que jovens a partir de 16 anos possam tirar carteira de motorista. O senador também citou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e disse que ele está proibido de dar entrevistas.
Flávio passa a quinta-feira em Brasília, sem agendas públicas de campanha.
De acordo com a equipe de Lula, o presidente vai protocolar nesta quinta-feira, no Tribunal Superior Eleitoral, uma autorização que inclui as exigências do adversário.
Em resposta enviada ao TSE, Flávio chamou a proposta inicial de Lula de “factoide” e disse aceitar abrir os sigilos dos últimos 20 anos. Em troca, cobrou a quebra de sigilo do ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e de Frei Chico, irmão do presidente. A lista inclui ainda as empresas de Fábio Luís, o Lulinha, alvo de apurações da Polícia Federal, negócios no exterior, o Instituto Lula e uma empresa de palestras do petista. As condições também abrangem os gastos do cartão corporativo da Presidência, a agenda da primeira-dama Janja, os registros de visitantes do Planalto e a reunião com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Mais cedo, em evento em Guarulhos, na Grande São Paulo, Flávio havia reforçado a cobrança pela abertura do sigilo de Marcola.
“O Lula nem tem celular, como é que ele quer abrir o sigilo telefônico dele? (…) Sabe quem recebe as ligações por você? O Marcola. Então eu abro o sigilo do telefone sim, mas o Marcola tem que abrir o dele”, afirmou.
As exigências foram uma resposta a um desafio de Lula, que propôs que os dois candidatos abrissem os dados dos últimos oito anos, incluindo os de familiares. Do lado de Lula, a primeira-dama e os cinco filhos. Do lado de Flávio, os pais, a esposa, os irmãos e empresas ligadas ao senador.
Em caminhada com apoiadores em Belo Horizonte, Lula insistiu na proposta.
“O cara pode ter o direito de não votar no Lula, mas ele não pode votar num miliciano. Não é possível que alguém queira colocar o crime organizado dentro do Palácio do Planalto, porque ele só sabe contar mentiras, mentiras e mentiras. Flávio, abre o seu sigilo”, disse o presidente.
Apesar da troca de petições, distribuídas ao ministro André Mendonça, nenhum dado foi liberado até o momento. Flávio não protocolou uma autorização formal no tribunal, e as declarações dos dois lados não têm validade jurídica para quebrar os sigilos de forma automática.



