Governo Trump admite que não divulgou todos os arquivos Epstein, mas diz que caso está 'concluído'

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos vem sofrendo críticas por não ter divulgação a totalidade de documentos presentes nos arquivos Epstein, mas afirmar que o caso está ‘concluído’. Segundo o que foi revelado pelo vice-procurador-geral Todd Blanche, foram divulgados três milhões de arquivos, mas seriam seis milhões no total.
Alguns defensores públicos e democratas dizem que parte dos documentos estão sendo retidos, algo que iria contra a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, aprovada em dezembro, e que obrigava a revelação de todos os arquivos da investigação.
Embora o Departamento de Justiça tenha divulgado alguns documentos nessa data, a divulgação da semana passada ocorreu quase seis semanas após o prazo.
Blanche foi o responsável do governo Trump pela divulgação. Ele disse na última semana que as revelações marcaram ‘o fim de um processo muito abrangente de identificação e revisão de documentos para garantir transparência ao povo americano e conformidade com a lei’.
‘Após a apresentação do relatório final ao Congresso, conforme exigido pela lei, e a publicação das justificativas por escrito para as omissões no Diário Oficial da União, as obrigações do departamento perante a lei estarão concluídas’, completou.
O vice-procurador comentou que o Departamento observou ‘mais de 6 milhões de páginas como potencialmente relevante’. Só que isso teria ocorrido porque ‘optamos por coletar materiais em excesso de diversas fontes para garantir a máxima transparência’.
‘O número de páginas responsivas é significativamente menor do que o número total de páginas coletadas inicialmente. É por isso que mencionei há pouco que estamos lançando mais de 3 milhões de páginas hoje, e não os 6 milhões de páginas que coletamos’.
A advogada Jennifer Plotkin, que representa mais de 30 vítimas de Epstein, afirma que essa não divulgação prova que ‘o governo falhou com as vítimas repetidas vezes’.
Ann Olivarius, advogada de direitos das mulheres e fundadora do escritório de advocacia McAllister Olivarius, afirmou que as revelações não desvendaram a contínua evasão de Epstein à justiça até seu julgamento em 2019.
Enquanto isso, os principais democratas criticaram duramente a forma como esses arquivos foram tratados, e Blanche reforçou o trabalho do Departamento de Justiça, declarando à ABC News no domingo: ‘Esta revisão acabou’.
‘Estamos testemunhando uma completa conspiração para encobrir os fatos’, disse o deputado Jamie Raskin, democrata de Maryland, em entrevista à CNN.
Arquivos Epstein divulgados pelo governo Trump possuíam nudez e nomes de ao menos 43 vítimas
Trump ao lado de Epstein. — Foto: Reprodução
A divulgação de mais de três milhões de documentos relativos ao caso Epstein pelo governo Trump na última semana anunciava o nome de 43 vítimas, que não tiveram a identidade tampada, e também mostrava nudez, inclusive de adolescentes. As afirmações são de reportagens da imprensa americana.
Segundo o jornal The New York Times, o Departamento de Justiça era obrigado a ocultar os corpos e rostos das vítimas ou que poderiam ser usadas para identificar. No entanto, a reportagem encontrou quase 40 imagens não editadas mostrando corpos nus. A maioria era de mulheres jovens, mas não é possível saber se eram menores de idade.
O veículo afirma que notificou o caso ao governo americano durante o sábado (31), sinalizando outras imagens no domingo (1º). Uma porta-voz respondeu que o departamento estava ‘trabalhando ininterruptamente para atender a quaisquer preocupações das vítimas, realizar redações adicionais de informações de identificação pessoal, bem como tratar de quaisquer arquivos que exijam redações adicionais de acordo com a lei, incluindo imagens de natureza sexual’.
‘Assim que as devidas redações forem feitas, todos os documentos pertinentes serão disponibilizados novamente online’, disse a porta-voz.
Segundo o NYT, as imagens mostravam ao menos sete pessoas diferentes e grande parte delas já foram removidas dos arquivos.
Outra reportagem, essa do jornal The Wall Street Journal, revela que os arquivos mostram o nome de 43 vítimas de Epstein e dos casos de tráfico sexual. Os nomes completos de várias mulheres apareceram mais de 100 vezes nos arquivos.
O Departamento de Justiça era obrigado a ocultar todos os nomes das vítimas antes de divulgar os arquivos. Autoridades afirmaram que passaram semanas fazendo isso após receberem listas de nomes dos advogados das vítimas.
Desde a divulgação, na sexta-feira (30), o Departamento vem retirando parte dos arquivos para fazer as alterações. No domingo, o vice-procurador-geral Todd Blanche disse à ABC News que a agência tomou precauções para proteger as vítimas e que removeria seus nomes caso fosse notificada.
‘Sempre que recebemos uma notificação de uma vítima ou de seu advogado informando que seu nome não foi devidamente ocultado, corrigimos isso imediatamente’.
De acordo com a análise do WSJ, mais de duas dezenas de nomes de vítimas menores de idade foram revelados nos documentos. Seus nomes completos estavam disponíveis na tarde de domingo (1) na busca por palavras-chave do Departamento de Justiça, juntamente com detalhes de identificação pessoal que facilitam o rastreamento, incluindo endereços residenciais.







