Após otimismo, chance de acordo entre EUA e Irã diminuir, diz jornal; entenda motivos

O progresso para um acordo entre o Irã e os Estados Unidos desacelerou, com ambos os lados endurecendo suas posições em relação ao programa nuclear e à ajuda financeira a Teerã. A informação foi divulgada pelo jornal Wall Street Journal, citando mediadores.
Segundo as fontes, os Estados Unidos temem que o Irã prolongue as negociações nucleares após ter obtido uma redução da pressão americana na sequência do acordo de paz.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (25) que nenhum acordo inicial com os Estados Unidos abrangeria o programa nuclear iraniano.
Em vez disso, o tema seria abordado no período de 60 dias de um cessar-fogo após o acordo, que envolveria especialmente a reabertura do Estreito de Ormuz.
Embarcação no Estreito de Ormuz. — Foto: PUNIT PARANJPE /AFP
Segundo ele, ‘é verdade que chegamos a um consenso sobre muitas questões por meio da mediação paquistanesa, mas ninguém pode afirmar que a assinatura de um acordo seja iminente’.
Em declarações posteriores, ele acrescentou que as negociações avançaram, mas que qualquer acordo iminente ‘depende dos americanos’, afirmando que ‘há assuntos muito mais importantes para tratar’.
Baqaei também pareceu criticar o presidente dos EUA e alguns de seus principais assessores, dizendo que o Irã tinha coisas melhores para fazer do que responder a tweets americanos
‘Temos assuntos muito mais importantes para tratar, e se gastarmos nosso tempo respondendo aos tweets, fotos e postagens da outra parte, não conseguiremos nos concentrar nessas prioridades’.
Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio — Foto: Andrew Harnik / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
Do outro lado, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou em uma visita a Índia que talvez havia uma chance para um acordo ‘nas próximas horas’.
Segundo ele, ‘progressos significativos, embora não definitivos, foram feitos nas negociações e que o mundo não precisará mais temer que o Irã adquira armas nucleares’. Rubio disse ao India Today que a ‘primeira fase’ a ser abordada será a reabertura completa do Estreito.
‘A segunda é que o Irã deve se engajar em negociações sérias sobre três questões: seu compromisso de nunca possuir armas nucleares, restrições de longo prazo às suas capacidades de enriquecimento e o que fazer com o urânio altamente enriquecido?’.
Trump buscou extrair mais concessões do Irã do que as previstas no acordo de 2015, firmado durante o governo Obama, do qual os Estados Unidos se retiraram posteriormente sob o governo do presidente Trump.
Acordo entre Irã e EUA incluiria reabertura de Ormuz e descarte de urâno iraniano, diz TV
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso. — Foto: Brendan SMIALOWSKI / AFP
Um projeto de memorando de entendimento em discussão entre o Irã e os Estados Unidos estenderia o cessar-fogo por 60 dias, reabriria imediatamente o Estreito de Ormuz e criaria um mecanismo para o descarte do estoque de urânio enriquecido do Irã, informou a rede de TV americana CBS News, citando dois funcionários familiarizados com as conversas.
Segundo a proposta, que ainda precisa da aprovação do Irã, o país reafirmaria que ‘nunca desenvolverá armas nucleares’ e concordaria que seu estoque de urânio enriquecido fosse descartado por meio de um mecanismo a ser acordado entre as duas partes.
O projeto também exige que o Irã e os Estados Unidos, juntamente com seus aliados, declarem o fim imediato e permanente de ‘todas as operações militares em todas as frentes’, incluindo o Líbano, e se comprometam a não iniciar guerra uns contra os outros, nem ameaçá-los ou usar a força.
As questões relativas aos ativos congelados do Irã e às sanções contra a República Islâmica seriam abordadas com base no cumprimento desses compromissos por parte de Teerã, afirmou o relatório.
Um alto funcionário do governo dos EUA ‘essencialmente confirmou’ a maioria dos pontos relatados à CBS News, mas não confirmou as disposições sobre uma extensão de 60 dias do cessar-fogo ou a declaração que encerra todas as operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, informou a emissora.



