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De empresário a embalsamador: candidatos com profissões tradicionais lideram, mas também há casos curiosos

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setembro 5, 2026
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De empresário a embalsamador: candidatos com profissões tradicionais lideram, mas também há casos curiosos


Empresários, advogados, policiais militares, médicos e comerciantes são as profissões mais comuns dos candidatos nas eleições de 2026. Um levantamento feito pela CBN, com base nos dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, identificou que pessoas dessas áreas representam quase 30% do número total de concorrentes.

Os que se declaram empresários somam o maior número: são 2.615 candidatos. Há ainda 1.709 advogados, 578 policiais militares e 566 médicos.

Os dados mostram que esse cenário é consolidado há décadas. Desde 2002, todas as eleições gerais têm no topo do ranking advogados, médicos e empresários. Os comerciantes também ocupam papel relevante desde o início do século.

Rodrigo Prando, cientista político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirma que essas profissões conseguem mais prestígio social para atrair a atenção dos eleitores. Além disso, acumulam algum tipo de poder, seja financeiro, familiar ou de conhecimento das leis.

“Esse destaque no âmbito social, numa sociedade como a brasileira, que é bastante desigual, permite entrar no mundo da política, o que confere também poder e prestígio. Então, figuras como advogados, médicos, comerciantes e policiais, muitas vezes, são todos aqueles que conseguem, no ambiente social, se destacar e, claro, colocam o nome deles à apreciação do eleitor. A política é, em larga medida, balizada pela conquista do poder, pela manutenção do poder conquistado e, sempre que possível, você tem que ampliar e não retroceder naquele poder que foi conquistado e mantido”

A lista também tem profissões que despertam curiosidade. São três candidatos que se declararam artistas de circo, quatro detetives particulares, quatro modelos, dois astrônomos, dois arqueólogos, dois diplomatas e dois profissionais que aparecem como coreógrafos e bailarinos.

Há ainda casos únicos de governanta, jornaleiro, leiloeiro, montador, engraxate e até de um agente de serviços funerários e embalsamador.

O levantamento aponta também 227 donas de casa, 32 secretários e datilógrafos, 21 porteiros e ascensoristas, 19 alfaiates e costureiros, 15 garis e 14 faxineiros.

No entanto, para esses profissionais, a competição pode ser difícil. As diferenças de recursos disponíveis para a campanha, a falta de influência no meio político e, em muitos casos, a inexperiência, tornam o caminho mais complicado até a urna.

Alberto Carlos Almeida, cientista político e sócio-diretor do Instituto Brasilis, afirma que outra barreira vem de gerações: famílias que se perpetuam na política costumam não dar espaço para a renovação.

“A família já é uma família de poder. A estrutura de vida daquela família é toda relacionada ao poder. Ela precisa ter alguém da família exercendo o poder. Faz parte de uma atividade familiar que mistura política e atividade empresarial. A pessoa precisa de algum recurso para entrar, e as barreiras são imensas para quem não tem essa disponibilidade financeira. Muitas vezes, ela vai fazer isso somente uma vez, tentar uma vez, e aí vai dizer que foi frustrante”

O levantamento feito pela CBN mostra ainda um alto percentual de ‘políticos profissionais’ disputando as eleições. Os que disseram ser vereadores, deputados, senadores ou ministros de Estado somam 1.731 candidaturas, ou 8% do total.

Os dados do Tribunal Superior Eleitoral indicam também um encolhimento no número de candidatos que se declaram sacerdotes ou membros de ordens religiosas, como padres e pastores. Neste ano, são 70, menor número desde 1994.

No total, 20.882 candidatos estão cadastrados para as eleições. É o menor número desde 2006. Em 2022, foram 29.262 concorrentes.



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