Espanha anuncia medidas contra crise habitacional após protestos por idosa despejada

O governo da Espanha aprovou novas medidas nesta terça-feira para conter a crise habitacional, incluindo uma proibição de despejos até 2030, regras mais rígidas para aluguéis de curta duração e uma extensão de dois anos para contratos de locação existentes, segundo a ministra da Saúde, Monica Garcia.
A população espanhola se mobiliza há dias pela situação de Maricarmen Abascal, de 87 anos, despejada na semana passada, após sete décadas no imóvel, pela nova empresa proprietária do apartamento onde vivia.
Após os protestos, Maricarmen recebeu uma oferta para voltar para casa, segundo a advogada. Ela disse a jornalistas que a UrbaGestion, o fundo que é proprietário do apartamento onde a senhora morava, apresentou na noite de segunda-feira uma proposta preliminar de acordo que poderia permitir que a idosa voltasse para casa.
O caso de Maricarmen se tornou o símbolo de um grande problema estrutural na Espanha: a crise habitacional.
Os manifestantes cobram regras mais protetoras contra despejos e a alta dos aluguéis. Em dez anos, o preço médio do aluguel na Espanha dobrou.
Os preços dispararam por causa do aumento da demanda, incluindo a do turismo e a do crescimento populacional.
Os fundos de imóveis especulativos, conhecidos na Espanha como fundos abutres, e as plataformas de aluguel turístico de curta duração, como o Airbnb, são alvo de críticas dos movimentos em defesa do direito à moradia.
Segundo os manifestantes, a prática contribui para a disparada dos preços ao adquirir imóveis no país e reduzir a oferta de habitação.
O Banco da Espanha estima que o país que tem cerca de 50 milhões de habitantes, tem um déficit habitacional de de 700 mil unidades.
As novas medidas fazem parte de projetos apresentados pelo Executivo, que ainda precisam ser aprovados pelo Parlamento, onde o governo do socialista Pedro Sánchez não dispõe de maioria.



