Espriella toma posse na Colômbia com discurso de guerra às drogas e fim do imposto sobre fortunas

O advogado e empresário Abelardo de la Espriella tomou posse nesta sexta-feira, em Cali, como novo presidente da Colômbia.
Pela primeira vez em décadas, a cerimônia foi realizada fora da capital Bogotá. O Congresso autorizou a transferência temporária das atividades para um auditório universitário da cidade.
A intenção original de Espriella era tomar posse em uma base militar, mas o plano foi vetado por Gustavo Petro, que deixa o cargo após chefiar o primeiro governo de esquerda da história da Colômbia. Ele não compareceu à posse.
Após a cerimônia, o primeiro discurso do novo presidente colombiano aconteceu em um batalhão da cidade.
Cercado de militares, Abelardo de la Espriella reforçou a defesa da política de guerra às drogas. A segurança pública foi a principal pauta da disputa presidencial, vencida por uma margem apertada de 250 mil votos contra o candidato da esquerda, o senador Iván Cepeda.
No discurso, o novo presidente colombiano pediu respeito ao resultado das eleições e anunciou que seu governo vai divulgar a lista de grupos narcoterroristas para fornecer às Forças Armadas instrumentos legais para combatê-los:
“A opção de diálogo está completamente esgotada. O Estado tem sido historicamente suficientemente nobre. Na era do tigre, será enérgico e decisivo contra o crime. De Cali, capital de um departamento que sofre com o terrorismo, narcotráfico e ações de grupos violentos, envio um mensagem firme ao povo colombiano: começa agora o tempo de recuperação da ordem, da autoridade e da liberdade.”
Espriella também prometeu o uso de pesticidas em passa para a erradicação dos cultivos de coca e reforçou o compromisso de campanha de construir megaprisões.
Em relação à economia, Espriella anunciou que assinaria um decreto congelando os gastos públicos e criticou o governo anterior de Pétro que, segundo ele, promoveu um crescimento excessivo dos gastos no país. Ainda neste tema, Espriella disse que vai tirar o imposto sobre grandes fortunas como parte de uma reforma tributária proposta, e justificou que o tributo afeta aqueles que investem e geram riqueza na Colômbia.
Na cidade de Barranquilla, o candidato derrotado Iván Cepeda participou de uma manifestação em que anunciou a criação de um gabinete paralelo com ministros do governo Petro.
A posse de Alessandro de la Espriella teve a presença dos presidentes que integram a nova onda de direita na América Latina, como Javier Milei, da Argentina, José Antonio Kast, do Chile, Daniel Noboa, do Equador, e Santiago Peña, do Paraguai.
O governo de Donald Trump foi representado pelo procurador-geral adjunto dos Estados Unidos. Também chamou a atenção a presença do presidente da Fifa, Gianni Infantino, pressionando após a proposta de criar uma empresa para administrar a Copa do Mundo com participação de investidores externos.
O presidente Lula não foi a cerimônia. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representou o governo brasileiro no evento. Na quarta-feira, Lula conversou por telefone com Gustavo Petro, um dos últimos aliados do petista na região, para se despedir do colega.
Antes da posse do adversário, Petro se despediu do mandato na sede da presidência colombiana.



