EUA pretendiam ceder controle de Ormuz ao Irã, mas proposta foi rejeitada, afirma jornal

Os Estados Unidos estariam dispostos a ceder em relação ao controle iraniano da rota sul de Ormuz. O Irã, contudo, rejeitou a proposta e continua se recusando a abrir totalmente o Estreito até o fim da guerra.
As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (3) pelo jornal árabe Al-Al-Mayadeen.
Em meio a isso, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou nesta segunda-feira (3) que o país não está atualmente em negociações com Washington. Ele declarou que o regime estava apenas mantendo conversas com Omã a fim de estabelecer uma rota segura temporária através do Estreito de Ormuz.
‘Estamos atualmente em negociações com Omã apenas sobre a gestão do Estreito de Ormuz. Os dois países estão empenhados em negociações sérias para garantir a segurança da navegação no Estreito’.
Não havia planos para receber ou enviar uma delegação, acrescentou ele.
O porta-voz defendeu que um acordo com Omã, que também faz fronteira com a importante hidrovia, não seria suficiente para reabri-la.
Enquanto a ‘agressão dos EUA’ continuar, a situação no estreito permanecerá a mesma, disse Baghaei.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia afirmado anteriormente que haveria conversas com o Irã nesta segunda (3) e que Washington e Teerã chegaram a um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz, que o Irã bloqueou em grande parte desde o início da guerra.
A mesa de diálogo contaria com a mediação do governo de Omã e do Paquistão. Apesar disso, o Irã afirmou que ‘não há novos mediadores’ entre o regime e os Estados Unidos, nem mesmo a China.
‘O Paquistão desempenha um papel de mediador em assuntos que dizem respeito ao Irã e aos Estados Unidos. O Catar também presta assistência quando necessário’.
Ataque dos Estados Unidos contra o Irã. — Foto: Reprodução
A negociação ocorre após o presidente Donald Trump confirmar a suspensão temporária de ataques aéreos de grande escala contra alvos militares iranianos.
Em declarações na Casa Branca e redes sociais, Trump afirmou ter concedido uma última oportunidade à via diplomática a pedido de mediadores e autoridades do Oriente Médio.
O presidente americano alegou que o governo iraniano solicitou a pausa nas ações militares, mas alertou que responderá com força inédita caso as conversas fracassem ou ocorram novos ataques na região.
Já o governo do Irã negou categoricamente ter pedido qualquer trégua ou cancelamento de bombardeios.
Por meio de comunicados oficiais e da imprensa estatal, Teerã classificou as falas de Trump como distorção dos fatos e propaganda interna.
O regime dos aiatolás avisou que mantém as forças armadas em alerta máximo e condiciona o avanço das conversas ao fim das sanções econômicas.
Governo Trump pede a oficiais ideias sobre como conduzir guerra no Irã, afirma TV
Pentágono é a sede dos órgãos de Defesa dos Estados Unidos. — Foto: Reprodução
O Departamento de Estado dos EUA enviou um e-mail para oficiais pedindo ajuda e ideias sobre como lidar com a guerra no Irã. A solicitação foi feita por um oficial de alta patente do setor de inteligência na última semana, informou a rede de TV CNN nesta segunda-feira (3).
O texto afirma que estão ‘buscando novas formas criativas e não convencionais de pressionar e punir o Irã’.
Outra fonte teria afirmado que um oficial de alta patente enviou a mesma mensagem a outros oficiais.
Essa consulta tem como objetivo buscar colaborações, especialmente de oficiais de inteligências e é chamada de ‘crowdsourcing’. Apesar de não única, esse pedido é considerado incomum e, segundo a TV, mostra as poucas opções do governo Trump no conflito.
O Comando Central dos EUA, na frente da guerra do Oriente Médio, estaria analisando as possibilidades.
‘O Comando Central dos EUA tem um longo histórico de pensar e trabalhar de maneiras inovadora. O Almirante Cooper [chefe do Comando Central], em particular, busca a colaboração dos integrantes de nossa excelente equipe, independentemente da patente, para alcançar os mais altos níveis possíveis de desempenho operacional’, declarou o Capitão Timothy Hawkins, porta-voz do Centro, em um comunicado.
Segundo a CNN, os militares se preparam para ataques a locais iranianos onde se acredita estarem com materiais nucleares. Apesar disso, se acredita que eles sejam pouco eficazes pelo quão subterrâneo esses equipamentos estão.
EUA lançam nova série de ataques aéreos contra o Irã — Foto: ABBAS FAKIH / AFP



