Ex-secretária de Educação é alvo de operação contra fraudes em contratos de obras e serviços em escolas do RJ

A Polícia Civil e o Ministério Público realizam, nesta quinta-feira (1), operação para investigar suspeitas de fraude em contratos de obras e serviços da Secretaria Estadual de Educação. Entre os alvos estão a ex-secretária de Educação, Roberta Barreto de Oliveira, o genro dela e um ex-subsecretário. Segundo os investigadores, o esquema pode ter causado prejuízo de até R$ 1,6 bilhão.
O esquema investigado pela Operação Escola de Papel envolve desvios de recursos destinados a reformas de escolas estaduais entre 2024 e 2025. A Justiça autorizou 19 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de aproximadamente R$ 19 milhões em bens dos investigados.
Segundo a investigação, haveria direcionamento de contratos, superfaturamento e lavagem de dinheiro envolvendo agentes públicos. Entre os investigados estão ex-integrantes da Secretaria de Estado de Educação, um capitão do Corpo de Bombeiros, um policial militar e empresários. As apurações indicam que parte significativa dos recursos repassados para obras teria sido desviada por intermediários, com saques em espécie e transferências para ocultar a origem dos valores.
A investigação começou após a apreensão de R$ 500 mil em espécie em janeiro de 2026, em Duque de Caxias, transportados por um administrador de empresa contratada para obras em escolas estaduais, acompanhado por um policial militar armado.
Em depoimento, o administrador afirmou que, dos cerca de R$ 6 milhões recebidos para aproximadamente 15 obras, apenas R$ 2 milhões teriam sido efetivamente aplicados nos serviços.
A CBN tenta localizar as defesas dos investigados.
Nota da Secretaria Estadual de Educação:
Desde o início da atual gestão, a Secretaria de Estado de Educação vem promovendo a revisão dos contratos e dos procedimentos relacionados às obras de manutenção e reparo na rede estadual e segue colaborando com o Ministério Público, o Tribunal de Contas do Estado, a Polícia Civil e os demais órgãos competentes. As ações têm como objetivo fortalecer os mecanismos de controle, aprimorar a fiscalização e assegurar a correta aplicação dos recursos públicos.
Entre as medidas implementadas está a definição de um limite de até R$ 130 mil para contratações destinadas a serviços de manutenção e pequenos reparos, em conformidade com a legislação vigente. Intervenções que ultrapassem esse valor passaram a ser classificadas como obras de maior porte e são executadas pela Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop-RJ).


