Explosões e bombardeios são ouvidos na Ilha de Kharg, informa mídia iraniana

A agência de notícias semioficial do Irã Mehr News afirmou nesta terça-feira (7) que explosões e bombardeios foram ouvidos na Ilha de Kharg, importante centro de petróleo e estratégico para o Estreito de Ormuz.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em algumas ocasiões que poderia atacar o local, considerando fundamental para controle de Ormuz pelos iranianos em meio a guerra no Oriente Médio.
Em março, informações do site Axios davam conta que Trump estava considerando planos para ocupar ou bloquear a ilha iraniana de Kharg para pressionar o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz.
A ilha, um centro que responde por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã, localizada a aproximadamente 30 quilômetros da costa iraniana, foi duramente atingida por ataques aéreos dos EUA no último final de semana.
O local é considerado um ponto estratégico em Ormuz, visto que serve como ponto de observação também para as embarcações que passam no estreito.
Em declarações recentes ao jornal Wall Street Journal, Farzin Nadimi, pesquisador sênior do Instituto de Washington para Política do Oriente Próximo, afirmou que Washington poderia tomar a ilha quando as hostilidades terminassem, mas que enviar tropas terrestres ‘não seria uma decisão sábia’ durante o combate, acrescentando que Kharg é ‘quase uma ilha inteira de instalações petrolíferas, oleodutos e parques de tanques’.
Segundo uma reportagem da CNN, o Irã tem armado armadilhas e deslocado pessoal militar adicional e reforço das defesas aéreas para a ilha, em preparação para uma possível operação dos EUA para assumir o controle da ilha, de acordo com diversas fontes familiarizadas com relatórios da inteligência americana sobre o assunto.
Mas autoridades americanas e especialistas militares afirmam que uma operação terrestre desse tipo envolveria riscos significativos, incluindo um grande número de baixas americanas.
Trump ameaça destruir o Irã se Estreito de Ormuz não for reaberto até a noite desta terça (7)
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante coletiva de imprensa na Casa Branca. — Foto: BRENDAN SMIALOWSKI / AFP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou destruir o Irã inteiro nesta terça-feira (7) se o Estreito de Ormuz não for reaberto até as 21h, pelo horário de Brasília. A rota é um importante corredor marítimo, por onde passam cerca de 20% das exportações de petróleo do mundo.
Nesta segunda-feira (6), o governo americano e o regime iraniano rejeitaram um plano de cessar-fogo elaborado pelo Paquistão. O presidente americano disse que, caso não haja um acordo aceitável hoje, todas as pontes e usinas de energia do Irã serão dizimadas em poucas horas.
O presidente Donald Trump disse que não está preocupado se os Estados Unidos forem acusados de cometer crime de guerra ao atacarem alvos civis, como as usinas elétricas. Para o republicano, o verdadeiro crime de guerra é permitir que um país com líderes que, nas palavras dele, considera “dementes” possua uma arma nuclear.
Em outro momento durante a entrevista coletiva na Casa Branca, Trump disse que, se pudesse escolher, tomaria o petróleo do Irã. Mas ponderou que os cidadãos americanos querem o fim da guerra.
Em resposta, o Exército iraniano chamou as ameaças de Trump de delirantes e disse que elas não vão compensar a vergonha e a humilhação dos Estados Unidos na região.
O prazo que expira hoje é um ultimato que já foi adiado quatro vezes pelo presidente americano desde 21 de março.
A poucas horas desse prazo, a guerra segue com novos ataques. Um bombardeio na província de Alborz, perto de Teerã, matou pelo menos 18 pessoas e deixou outras 24 feridas. A capital iraniana também foi atingida por uma série de ataques intensos, inclusive em áreas residenciais e no aeroporto Internacional de Khorramabad.
O ministro iraniano do Patrimônio Cultural enviou uma carta à Unesco pedindo condenação a uma suposta ameaça de ataque de Israel ao sistema ferroviário do país.
A ferrovia trans-iraniana, que liga o Mar Cáspio ao Golfo Pérsico, é considerada patrimônio mundial e, segundo o governo, qualquer ataque representaria uma agressão ao patrimônio da humanidade.
Entre a população, o presidente do Irã reforçou um discurso de mobilização total. Masoud Pezeshkian afirmou que 14 milhões de pessoas se voluntariaram para morrer na guerra. Ele disse que também está pronto para dar a própria vida.
Prédio destruído em Teerã, capital do Irã, após ataque de Israel. — Foto: AFP








