Flávio diz que promessa de decretar que o 'Brasil é do Senhor Jesus' se referia a uma oração simbólica

A cinco dias do primeiro turno, em uma tentativa de conter o desgaste entre católicos e evangélicos, o candidato à presidência Flávio Bolsonaro afirmou nesta terça-feira (29) que a promessa de “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo” se refere a uma oração simbólica antes da posse, e não a uma medida com efeitos legais.
O candidato declarou isso em uma live em agosto. A fala foi resgatada após repercussão de informações falsas de que o senador pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Em nota, a equipe do candidato do PL disse que Flávio defende o respeito a todas as religiões e expressões de fé e que a oração será um gesto de agradecimento.
A explicação ocorre também depois da cobrança pública do bispo Dom Roberto Francisco Ferreira Paz, da diocese de Campos e integrante de comissões da CNBB, que questionou o alcance da promessa do candidato e classificou a ideia como perigosa.
Flávio intensificou acenos aos católicos. Na segunda (28), ergueu uma imagem da Santa em agenda pública e participou de um podcast voltado aos católicos. A movimentação busca estancar a perda de votos no segmento.
Flávio Bolsonaro ergue imagem de Nossa Senhora Aparecida em SP — Foto: Reprodução/GloboNews
Na pesquisa Quaest, o presidente Lula aumentou a intenção de voto entre os católicos chegando a 48%, contra 29% de Flávio Bolsonaro.
Paralelamente, aliados evangélicos saíram em defesa do candidato, enquanto a coordenação de campanha tenta recuar de críticas feitas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, para evitar novos atritos com lideranças da Igreja Católica na reta final da disputa.
Flávio Bolsonaro chegou a dizer que a fake news foi disseminada com a ajuda de gente de dentro da CNBB, quando a conferência reagiu em nota e disse “mentira não se combate com outra mentira”. Depois disso, o candidato agradeceu à Conferência pelo esclarecimento.



