Haddad critica privatização da Sabesp e diz que venda foi feita em 'mesa de amigos'

O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (15) que a privatização da Sabesp foi conduzida pelo governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, em uma “mesa de amigos” e sem transparência.
A declaração foi feita durante um fórum realizado na capital paulista que reuniu algumas das principais lideranças políticas do país. A fala reforça uma das estratégias que devem marcar a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes em 2026: o embate em torno da concessão da companhia.
Como a CBN tem mostrado, a privatização da Sabesp é considerada um dos temas mais sensíveis da campanha de Tarcísio. Enquanto aliados de Haddad pretendem explorar possíveis impactos da medida nas tarifas e na prestação dos serviços, a equipe do governador aposta nos resultados de investimento e expansão do saneamento para defender a operação.
Haddad participou do evento logo após Tarcísio, que abriu os debates da manhã. Os dois foram entrevistados separadamente por jornalistas da revista Veja. Apesar de estarem no mesmo local, não houve cumprimento entre os dois pré-candidatos. Tarcísio deixou o palco por uma saída lateral e apenas acenou para Haddad, que acompanhava a programação na primeira fila do auditório.
Ao ser questionado sobre a resistência histórica do PT às concessões, Haddad respondeu:
“Quando criticamos a privatização da Sabesp, é porque abrimos mão de cerca de R$ 3,7 bilhões na segunda etapa da venda das ações. Em nome de quê fizemos isso? Por que canalizamos a concessão para uma única empresa, acrescentando cláusulas que afastavam outros investidores? E, para piorar, depois de vender para apenas um dos interessados, a operação foi fechada pelo preço da primeira etapa, para amigos, para pessoas escolhidas em uma mesa, com critérios absolutamente opacos e sem transparência”, declarou.
Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição — Foto: Divulgação/Veja
Mais cedo, Tarcísio havia sido questionado sobre a agenda de privatizações e defendeu a venda da companhia. Segundo o governador, a medida foi necessária para ampliar a capacidade de investimento e acelerar a universalização do saneamento no estado.
“Muitas vezes, esse debate é contaminado pela ideologia. Ideologia e aritmética não se misturam. Há coisas que precisamos fazer. O Estado precisa entender que não será o responsável por prover tudo. A ideia de que apenas a presença do Estado garante serviços públicos de qualidade é falsa. Precisamos mostrar isso às pessoas. Quando a população experimenta serviços públicos regulados pelo Estado, mas prestados por parceiros privados, percebe que esse modelo funciona. E quem utiliza esses serviços atesta os resultados”, disse.
Durante a participação no fórum, Tarcísio também fez críticas ao governo do presidente Lula, do PT, e afirmou que a atual gestão federal será lembrada como uma “perda de oportunidade” para o país.
Ao final do evento, Fernando Haddad conversou com jornalistas e comentou a formação da chapa para a disputa ao governo paulista. O petista disse estar confortável com os nomes que vêm sendo discutidos para a vice e evitou responder sobre prazos para a definição.
Já Tarcísio deixou o local sem atender a imprensa e seguiu para compromissos no interior do estado. Também participa do fórum o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro, do PL. Apesar de estarem no mesmo evento, ele e Tarcísio não chegaram a se encontrar.



