Investigações que 'respingam' em Lula e Flávio Bolsonaro expõem disputa de alas no STF

Os recentes desdobramentos de investigações do STF que respingam nos candidatos à eleição Lula e Flávio Bolsonaro expõem a queda de braço entre as diferentes alas dentro Supremo às vésperas em meio à disputa presidencial. Nesta segunda-feira, o ministro Flávio Dino, indicado por Lula, atendeu ao pedido da Polícia Federal para que os dados da operação contra a produtora do filme ‘Dark Horse’ sejam compartilhados com a corporação. As informações foram reveladas pela colunista Bela Megale.
O caso está sob sigilo na Suprema Corte.
Em outra frente, o ministro André Mendonça, indicado por Bolsonaro, tem indicado nos bastidores que deve negar o pedido da Procuradoria-Geral da República de encaminhar as duas investigações contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para a primeira instância, mantendo, assim, o controle sobre o caso.
A alegação da PGR é que a apuração não envolve autoridades com foro privilegiado. Porém, internamente a avaliação no gabinete de Mendonça é que o STF se baseia na origem da investigação, assim como foi com os 1.4 mil condenados do 8 de janeiro. Embora nenhum deles tivesse foro, o caso nasceu com a tentativa de golpe de estado liderada pelo então presidente e ministros de Estado.
Outro caso exemplo é do ex-deputado estadual do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar. Apesar e não ter foro, o processo dele também ficou no Supremo porque as condutas estariam conectadas a outras investigações que miram grupos criminosos e as conexões com agentes públicos.
Apesar dos recentes desdobramentos, institucionalmente o presidente do STF, o ministro Edson Fachin, reforça a postura de blindar a Suprema Corte do debate ideológico. Nos bastidores, ele reforça o discurso de manter “na política o que é da política” e “o direito do que é do direito” e garantir uma imagem institucional e do STF.



