Lula e Flávio concentraram mais da metade das agendas do 2º turno no Sudeste

A Região Sudeste foi a mais visitada pelos candidatos à presidência da República neste segundo turno, concentrando 56% dos atos públicos.
A CBN levantou as agendas de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL, entre os dias 5 e 24 de outubro. Ao todo, os dois tiveram 25 compromissos em 19 cidades de 12 estados e no Distrito Federal. Minas Gerais reuniu o maior número de atos com cinco, seguido por São Paulo e Rio de Janeiro, com quatro cada.
E não é pra menos: os três maiores colégios eleitorais do país reúnem mais de 63 milhões de eleitores.
Em São Paulo, Lula e Flávio atraíram multidões. No domingo, 11 de outubro, Lula participou de um ato na Avenida Paulista. Uma semana depois, no dia 18, Flávio convocou apoiadores para o mesmo endereço.
Em Minas Gerais, Lula caminhou em Juiz de Fora e Ipatinga, no dia 16 de outubro, enquanto Flávio participou de um evento em Capelinha, no dia anterior. O estado é considerado estratégico. Desde a redemocratização, quem vence em Minas vence as eleições.
Lula e Flávio escolheram o Rio para encerrar a campanha: o petista em Copacabana, na Zona Sul, e o candidato do PL na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste.
O cientista político Josué Medeiros diz que a disputa vai além do tamanho do eleitorado nesses estados.
São estados em disputa. O Flávio Bolsonaro vai aumentar a votação no Sul e no Centro-Oeste, o Lula vai aumentar a votação no Nordeste, e nesses estados [do Sudeste] não se tem certeza da tendência eleitoral. Tem uma disputa aí que foi decisiva em todos os anos. O primeiro turno foi uma eleição bem confusa, no bom sentido, que é o fato de que as pessoas votam em muitos cargos. E, agora no segundo turno, eu costumo brincar que é uma final de campeonato. As atenções todas se voltam para a disputa presidencial e a gente está tendo o reforço da polarização que está marcando a nossa política
O Nordeste recebeu sete agendas dos presidenciáveis no segundo turno. Lula passou por Natal, no Rio Grande do Norte, e São Luís, no Maranhão, além de Petrolina, em Pernambuco, e Juazeiro, na Bahia. Flávio, por sua vez, visitou Salvador, na Bahia, e Fortaleza, no Ceará.
Além disso, atos sem a presença dos candidatos também mobilizaram eleitores. Do lado bolsonarista, o governador eleito do Rio, Douglas Ruas, percorreu cidades fluminense para buscar votos para o correligionário.
Já o deputado federal Nikolas Ferreira liderou o chamado ‘Bloquinho’ por cidades como Nanuque, em Minas, Teresina, no Piauí, e Recife, em Pernambuco.
Lula contou com mobilizações em várias capitais, como na Praia de Copacabana, no Rio, com presença de artistas como Caetano Veloso e Djavan.
Além dos atos públicos, o petista apostou no peso da caneta presidencial e tomou medidas voltadas a beneficiários do Bolsa Família e a microempreendedores, além de mobilizar o Congresso pela aprovação do fim da escala 6×1.
Apesar do apelo eleitoral, a professora de Ciência Política da UFRJ Mayra Goulart destaca que os anúncios devem ter baixo impacto no percentual real de votos.
‘O que vem acontecendo faz a gente duvidar um pouco que essas medidas tenham muito efeito eleitoral. O fato é que o eleitor vem entendendo essa eleição quase como uma manifestação da sua identidade. É como se as urnas estivessem perguntando o que que ele é: se é uma pessoa de esquerda ou uma pessoa de direita. Isso tem nublado um pouco as reações do público diante de evidências, não só evidências em termos de políticas públicas, como também em termos de corrupção
No segundo turno, a corrida eleitoral também ganhou corpo no ambiente digital. Lula alternou críticas ao governo de Jair Bolsonaro, lembrando da pandemia e da fome no país, e passou a fazer vídeos no formato ‘selfie’.
Flávio concentrou parte das publicações na divulgação de apoios políticos e críticas aos gastos do governo. Na reta final, reuniu influenciadores e artistas, como o cantor Gusttavo Lima, numa corrente de apoio.



