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Morre autora e cineasta Marjane Satrapi, de 'Persépolis', aos 56 anos

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junho 5, 2026
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Morre autora e cineasta Marjane Satrapi, de 'Persépolis', aos 56 anos


A autora e cineasta iraniana Marjane Satrapi morreu nesta quinta-feira (4), aos 56 anos. Segundo um comunicado divulgado por familiares, ela não resistiu à tristeza pouco mais de um ano após a morte do marido, o produtor e ator Mattias Ripa, com quem vivia em Paris.

Marjane ficou conhecida por seu quadrinho autobiográfico ‘Persépolis’, cuja adaptação cinematográfica recebeu o prêmio do júri no Festival de Cannes e foi indicada ao Oscar. Eleito um dos melhores livros do século XXI pelo The New York Times, a HQ acompanha a vida de Marjane desde a infância, sua juventude marcada pela revolução e pela guerra no Irã, seu desenraizamento e sua chegada à Europa durante o exílio em Viena.

Apaixonada pela liberdade, ela tinha apenas dez anos quando foi obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas, separada dos amigos garotos. Nascida em família moderna e politizada, Marjane Satrapi viveu as consequências da revolução que, em 1979, lançou o Irã no regime conservador islâmico xiita, que tirou direitos e prendeu opositores.

A guerra entre Irã e Iraque também tornou o cotidiano mais perigoso, e a rebeldia de Marjane a colocou em risco em um mundo repressor.

Cena do filme ‘Persépolis’, de Marjane Satrapi. — Foto: Divulgação

“Com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou”, Marjane lançou o quadrinho em 2000, originalmente na França. No Brasil, a obra foi publicada pela editora Companhia das Letras, com tradução de Paulo Werneck. ‘Persépolis’ vendeu milhões de cópias e foi traduzido para mais de cem idiomas.

Marjane Satrapi nasceu no Irã em 1969 e se tornou uma voz crítica ao regime teocrático do país. Estudou no liceu francês de Teerã, onde passou a infância. Bisneta de um imperador do país, a educação que recebeu combinou a tradição da cultura persa com valores ocidentais e de esquerda. A autora chegou à França em 1994 e obteve a nacionalidade francesa 12 anos depois. Lá, ingressou no Atelier des Vosges, berço de grandes nomes dos quadrinhos contemporâneos.

Além de “Persépolis”, ela ainda publicou outros quadrinhos: “Bordados” (Quadrinhos na Cia, 2010) e “Frango com ameixas” (Quadrinhos na Cia, 2008, vencedor do prêmio de Melhor Álbum no Festival de Angoulême em 2004); e “Mulher, vida, liberdade” (Quadrinhos na Cia, 2024), que organizou.

Em 2005, Marjane dirigiu a adaptação cinematográfica de “Persépolis” junto com Vincent Paronnaud. Selecionado para a competição em 2007, o longa ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes, sendo também laureado em diversos festivais internacionais. Foi indicado a Melhor Filme Estrangeiro no Globo de Ouro e a Melhor Filme de Animação no Oscar.

Como cineasta, Marjane Satrapi também foi co-roteirista e co-diretora de “Frango com ameixas”, adaptação de seu quadrinho, e diretora de “A Gangue dos Jotas” e “As vozes”.



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