MP investiga herança de quase R$ 100 milhões de ex-dirigente da Fazenda de SP

Um inventário de quase R$ 100 milhões da herança do pai do ex-dirigente da Fazenda de São Paulo André Weiss chamou a atenção do Ministério Público. Weiss foi preso na quinta-feira e é apontado como líder do núcleo público do esquema.
O pai dele era engenheiro aposentado e pesquisador. Segundo os promotores, o patrimônio seria incompatível com esse perfil.O inventário registra uma operação de quase R$ 100 milhões. Mas, no mesmo documento, o cartório comunicou ao Coaf um valor de cerca de R$ 579 mil.
O MP suspeita que a herança tenha sido superavaliada para dar aparência legal a recursos de origem ilícita.
E o inventário não é o único ponto sob suspeita.
O Coaf identificou seis operações imobiliárias de Weiss e da companheira com valores considerados anormais, além de mais de R$ 6,6 milhões em movimentações bancárias atípicas.
Também há suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o cunhado de Weiss, que declarou renda mensal de cerca de R$ 18 mil e movimentou mais de R$ 12 milhões em um ano. A conta recebeu quase R$ 2 milhões em 334 depósitos em dinheiro vivo.
No núcleo privado, o advogado João André Buttini também apresentou forte evolução patrimonial.
O patrimônio declarado multiplicou-se por dez, passando de R$ 30,5 milhões, em 2017, para R$ 314 milhões, em 2024.
A quebra de sigilo bancário apontou ainda R$ 383 milhões recebidos de terceiros em quase oito anos. Quase 88% vieram de empresas do próprio grupo.
Segundo o MP, o dinheiro passava por uma cadeia de empresas e holdings antes de chegar às pessoas físicas.
Uma holding criada dois meses depois da primeira entrega de propina registrou lucro de R$ 52 milhões em 2024 e distribuiu mais de R$ 46 milhões em dividendos.
A investigação também cita uma mansão de R$ 33 milhões e imóveis em Itupeva avaliados em R$ 40 milhões, sem que o MP tenha localizado o rastro bancário dos pagamentos.
As defesas ainda podem contestar as conclusões da investigação.



