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'Não imponham tarifas ao Brasil', diz Flávio Bolsonaro em audiência pública nos EUA

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julho 7, 2026
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'Não imponham tarifas ao Brasil', diz Flávio Bolsonaro em audiência pública nos EUA


No retorno das audiências públicas nos Estados Unidos sobre um possível novo tarifaço de até 37,5% contra produtos brasileiros, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, foi o primeiro a falar e levou um forte tom político aos debates. Ele pediu ao governo americano para não impor as tarifas e preservar o que chamou de “sucesso do PIX”.

Flávio Bolsonaro disse que esse seria “o pior momento” para um novo tarifaço, uma vez que a medida poderia “premiar” Lula e prejudica-lo na corrida eleitoral. O senador lembrou que, em apenas 90 dias, o cenário político poderá ser completamente diferente. Ainda, argumentou aos membros da comissão americana que as taxas aplicadas no ano passado, ao invés de apresentarem os resultados esperados pelos Estados Unidos, foram exploradas politicamente pelo atual governo brasileiro, além de punir severamente o a população dos dois países.

Flávio Bolsonaro lembrou já ter feito o mesmo apelo em maio ao presidente Donald Trump, ao vice-presidente James David Vance e ao secretário de Estado Marco Rubio.

Antes de chegar ao escritório do Representante Comercial dos EUA, ele disse que terá outras reuniões no país sobre as taxas e que por isso teve que adiar agenda do dia 9 em Pernambuco.

“Eu vou ter que ficar mais um dia aqui nos Estados Unidos para defender o Brasil desse tarifaço. É muito importante mais reuniões que vamos ter aqui, para tentar convencer o governo americano de forma técnica e política também, de que as tarefas são muito ruins para o Brasil e também para os Estados Unidos. A partir do ano que vem o Brasil vai ter um presidente da república que vai poder sentar de igual para igual para negociar com os Estados Unidos”, disse.

Corporações como Tesla, Coca-Cola e eBay pediram oficialmente que a Casa Branca desista do tarifaço. As empresas alertam que a medida vai encarecer insumos e prejudicar a própria indústria americana. A Tesla, por exemplo, afirma que o uso de componentes brasileiros é essencial para a competitividade de seus carros elétricos.

O impacto na balança comercial preocupa. A Confederação Nacional da Indústria calcula que mais de quatro mil produtos podem ser taxados, gerando um prejuízo de cerca de US$ 15 bilhões. Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, não há indícios de concorrência desleal por parte do Brasil.

O diretor-geral do CECAFÉ, Marcos Matos, que participou da audiência de segunda-feira (6), fez um apelo para isentar o café solúvel brasileiro. O Brasil fornece mais de 30% de todo o café consumido pelos americanos.

“Há uma compreensão melhor, dado o trabalho que a iniciativa privada fez, de que o pleito do Brasil e os produtos brasileiros são muito importantes para a indústria americana, para a geração de empregos e para a estabilidade de preço ao consumidor. E, no caso do café, o CECAFÉ, ao lado da National Coffee Association, de pedir que os cafés que hoje estão sugeridos na lista de exceção para a investigação sejam confirmados por meio de uma ordem executiva e que o café solúvel seja integrado a essa lista”.

Segundo o Sindicato da Indústria do Ferro em Minas Gerais (Sindifer), que participa nesta terça da audiência, se a nova taxação entrar em vigor, cerca de 55% das usinas no Brasil podem ser forçadas a paralisar as atividades. O impacto é mais forte em Minas Gerais, que responde por 70% da produção nacional. Parte dos mais de 60 mil empregos diretos e indiretos estão ameaçados.

No campo diplomático, o Itamaraty enviou na segunda-feira uma contestação formal a Washington. O governo brasileiro classificou como “arbitrária” e “errônea” a acusação de falhas no combate ao trabalho forçado, argumento usado pelos americanos para justificar parte das taxas.

Uma observadora da embaixada brasileira acompanha as audiências em Washington.

Enquanto isso, o Governo Federal prepara uma rodada final de negociações com os Estados Unidos para tentar barrar a medida. O Planalto já avisou que o PIX, um dos alvos da investigação americana, é inegociável.



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