janeiro 3, 2026

NYT: Ao menos 40 pessoas foram mortas em ataque dos EUA à Venezuela, entre militares e civis


Ao menos 40 pessoas foram mortas neste sábado (3) durante ataque dos Estados Unidos à Venezuela. As informações são do jornal americano The New York Times, que ouviu um alto funcionário venezuelano que não quis se identificar e adiantou dados preliminares.

Segundo as informações do jornal, os mortos incluem militares e civis, e não houve mortes entre militares americanos.

Donald Trump disse que vai governar a Venezuela após a captura do ditador Nicolás Maduro, e comemorou a ação militar, chamada de ‘Operação Determinação Absoluta’, realizada neste sábado contra o país.

Em entrevista coletiva no início da tarde, o presidente dos Estados Unidos disse que não permitirá que ninguém próximo a Maduro continue no poder e que a administração interina será realizada até que a transição de governo possa ser feita com segurança.

O republicano não detalhou como a administração será feita, nem por quanto tempo vai durar; apenas disse que “um grupo” será responsável pelo governo.

Vice da Venezuela, Delcy Rodríguez diz que país ‘nunca será colônia’ após ataque de Trump

Vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez. — Foto: Foto por PEDRO MATTEY / AFP

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, fez um pronunciamento transmitido na televisão pública neste sábado (3) , no qual convocou ministros e a população venezuelana a resistir à intervenção dos Estados Unidos no governo venezuelano.

De acordo com fontes do New York Times, ela tomou posse em cerimônia secreta e agora é considerada presidente interina da Venezuela.

Delcy afirmou que a Venezuela “nunca será colônia de nenhuma nação”, que Nicolás Maduro continua sendo o único presidente do país e classificou sua captura como um “sequestro”.

“Já tínhamos advertido que estava em curso uma agressão, com falsos pretextos” com o objetivo da “captura dos nossos recursos energéticos e minerais, e dos nossos recursos naturais”. “Esse era o objetivo verdadeiro, e a comunidade internacional deve saber que é assim”.

O presidente americano afirmou em pronunciamento e entrevista coletiva neste sábado (3) que vai governar a Venezuela e que não permitirá que ninguém próximo a Maduro continue no poder. Ao mesmo tempo, disse que negocia com Rodríguez sobre os próximos passos, não descartando uma invasão aberta contra a Venezuela.

Trump disse não considerar a líder oposicionista María Corina Machado para assumir o país.

Tensão, filas e aumento de preços marcam reação na Venezuela, diz brasileiro

Fila para entrar em um supermercado de Caracas, na Venezuela — Foto: JUAN BARRETO / AFP

Um brasileiro que vive em Valência, na Venezuela, contou sob condição de anonimato à CBN como foi a reação da população após a notícia do ataque dos Estados Unidos. Segundo ele, não houve alarde imediato durante a madrugada.

“Fiquei sabendo por volta das três da manhã, mas a maioria das pessoas só começou a ler as notícias quando acordou, por volta das seis horas”, relata.

A partir desse momento, a rotina da cidade mudou rapidamente.

“Quase imediatamente começaram a se formar filas nos postos de combustíveis e também nos mercados. Muitos fecharam os portões e agora só permitem a entrada de quem chega a pé”, afirma.

Ele explica que a situação da água agrava ainda mais o cenário.

“Aqui a água não é potável, então a gente precisa comprar. Neste momento, estou numa fila porque, das seis lojas da minha região que vendem água, apenas uma está aberta.”

Segundo o relato, uma água que até ontem custava 100 bolívares passou a ser vendida, na manhã deste sábado, por 300 bolívares. Apesar da tensão, o clima nas ruas é descrito como dividido.

“Existe uma sensação de alegria misturada com apreensão. Ainda não há comemorações mais calorosas porque o regime não caiu. Nas filas, ninguém comenta sobre isso.”

O brasileiro também relata aumento da presença militar.

“Valência tem um forte militar em alerta. As proximidades estão fechadas e os militares agem com certa truculência para dispersar veículos.”

Ele afirma ainda que estrangeiros estão sob vigilância constante. “Todo e qualquer estrangeiro é visto como suspeito e submetido a revistas frequentes nas estradas.”



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