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Peptídeos: nova febre da estética avança sem aprovação da Anvisa e preocupa especialistas

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julho 25, 2026
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Peptídeos: nova febre da estética avança sem aprovação da Anvisa e preocupa especialistas


A nova febre no mundo da estética são os peptídeos: cadeias de aminoácidos que atuam na produção de colágeno, regeneração e controle hormonal. Peptídeo, na verdade, é uma designação química. Substâncias conhecidas do grande público estão nessa categoria, como a insulina e a semaglutida e a tirzepatida, princípios ativos das canetas emagrecedoras.

Mas agora, uma nova geração de peptídeos — com nomes como BPC-157, TB-500 e GHK-Cu — está sendo oferecida em clínicas de nutrologia e estética, prometendo desde cicatrização até ganho de massa muscular. Só que sem aprovação da Anvisa.

Mesmo sem aprovação, médicos brasileiros já oferecem esses peptídeos abertamente, inclusive nas redes sociais, onde perfis com milhares de seguidores anunciam o procedimento. “Se é banido, é porque funciona. Esperar unicamente a aprovação do FDA para prescrever alguns medicamentos para uso off label seria um atraso”, diz um dos conteúdos.

O termo “off label” se refere ao uso de um medicamento fora da finalidade para a qual ele foi aprovado. É o caso, por exemplo, de peptídeos que têm liberação apenas para uso tópico, ou seja, aplicado sobre a pele, mas que estão sendo oferecidos de forma injetável, sem estudos que comprovem segurança ou eficácia por essa via.

Apesar da divulgação pública desses procedimentos, nenhum dos médicos contatados pela CBN aceitou dar entrevista.

O alerta dos especialistas

Procedimentos estéticos usam substâncias injetáveis — Foto: Magnific

A disseminação da prática levou o Conselho Regional de Medicina do Paraná a emitir um alerta, através de uma nota técnica, sobre os riscos à população. O coordenador da Câmara, Guilherme Cardoso, afirma não ser contra o peptídeo, mas destaca os riscos da comercialização de uma substância ainda em fase experimental.

“Nós não sabemos os riscos, porque eles não estão documentados, já que o produto não é regularizado. A gente não sabe o que está sendo injetado, porque não há como fiscalizar de onde veio, como foi feito. Não sabemos o nível de esterilização dos produtos, nem o que realmente existe nessas substâncias. Também não sabemos, a curto, médio e longo prazo, o que elas vão fazer nas pessoas”, alerta.

“As pessoas simplesmente estão sendo cobaias: estão injetando e vendo o que acontece”

Para ele, pacientes não devem pagar por tratamentos experimentais e, por isso, médicos que lucram com esses atendimentos infringem a legislação e ética profissional da ciência.

Anvisa monitora anúncios e importações irregulares

A brasileira Marcia Machado, que conversou com a reportagem mas não quis gravar entrevista, afirmou que usa as substâncias. Ela relatou que conheceu o produto pela internet, que importa através de um contato nos Estados Unidos e que obteve bons resultados, recomendando às amigas. Ela admitiu que não teve orientação médica.

O diretor da Anvisa Daniel Meirelles Pereira afirmou que a agência reguladora brasileira se esforça para combater essa prática: “A gente não só atua vedando a importação desse tipo de produto, quando eles são comprados no exterior, como também vem monitorando a internet, identificando, derrubando e autuando anúncios irregulares relacionados a produtos que não são regularizados”.

Nem mesmo nos Estados Unidos, onde a discussão está mais avançada, existe aprovação final. Nesta semana, um comitê consultivo da FDA avaliou sete desses peptídeos para autorizar sua manipulação em farmácias, mas mesmo lá, a recomendação não crava a liberação, e o processo formal ainda pode levar meses.



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