Polícia identifica contas usadas em esquema de golpes on-line que movimentou R$ 14 milhões em seis meses

A Polícia Civil de São Paulo investiga duas plataformas digitais suspeitas de aplicar golpes financeiros.
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Os usuários, segundo as investigações, eram incentivados a depositar dinheiro ou cumprir as tarefas para receber pagamentos.
No entanto, em diversos casos, os valores acumulados ficavam bloqueados, impedindo que as pessoas retirassem o dinheiro.
A apuração identificou duas contas bancárias usadas para concentrar os recursos recebidos dos usuários. Chamadas de contas-bolsão, elas recebiam depósitos fracionados, geralmente de baixo valor.
No mesmo dia, o dinheiro era transferido para uma segunda conta antes de ser distribuído entre outras pessoas físicas e jurídicas.
“Entrava realmente em Pix fracionado, normalmente baixo valor, e, no mesmo dia, tudo que era amealhado já era direcionado imediatamente pra essa segunda conta-bolsão”, explicou o delegado Fernando Davi de Melo Gonçalves, titular da terceira Delegacia de Investigações Gerais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
Uma das contas movimentou pouco mais de R$ 14 milhões em apenas seis meses. De acordo com o delegado, nesse período, os valores recebidos eram transferidos imediatamente para a segunda conta identificada pelos investigadores.
A polícia analisou cerca de 38,5 milhões de transações bancárias realizadas entre 2022 e 2024. A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 14 milhões vinculados a 11 pessoas físicas e jurídicas.
Os investigadores também trabalham com a possibilidade de que os valores relacionados ao esquema cheguem a R$ 154 milhões.
Três pessoas foram presas
A Operação Disque 151 prendeu três pessoas nesta terça-feira (13).
Segundo o delegado, dois dos investigados atuavam como operadores das empresas e eram beneficiários do esquema, embora não aparecessem formalmente no quadro societário.
A participação do terceiro suspeito ainda é apurada.
Operação Disque 151 investiga bets clandestinas — Foto: Polícia Civil de SP
A operação cumpriu seis mandados de busca e apreensão na capital paulista e em Mogi das Cruzes, na região metropolitana. Três dos endereços ficam em condomínios de alto luxo.
A investigação começou em 2024, após reclamações registradas no Procon-SP.
A estimativa de cerca de 10 milhões de possíveis vítimas foi calculada a partir do volume de transações bancárias e da proporção estimada de operações de crédito.
A polícia ainda tenta identificar outras pessoas prejudicadas e não descarta a participação de novos investigados. Segundo o delegado, a apuração pode ter novas fases e ser conectada a outros inquéritos sobre crimes financeiros.



