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Exportadores aceleram embarques para escapar de tarifaço dos EUA

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junho 9, 2026
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Exportadores aceleram embarques para escapar de tarifaço dos EUA


A provável elevação das tarifas sobre as exportações brasileiras já está acelerando os embarques para os Estados Unidos em setores como máquinas, calçados e pescados. Empresários desses segmentos também pretendem participar da audiência prevista para o início de julho, quando deverão ser discutidas as sobretaxas no âmbito da investigação da chamada Seção 301.

Para o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, a ameaça de taxação deve provocar, em um primeiro momento, uma corrida para antecipar embarques nas próximas semanas.

“Se for fixada em 25%, a nova tarifa deve entrar em vigor depois do dia 16 de julho, mais provavelmente lá pelo final de julho. Então dá perfeitamente para as empresas fazerem embarques e as mercadorias chegarem nos Estados Unidos ainda com a tarifa de 10% e depois uma acomodação e uma queda na quantidade de bens exportados para os Estados Unidos”, disse.

O mercado americano responde por cerca de 50% das exportações brasileiras de pescado, sendo que 90% da tilápia produzida no país tem como destino os Estados Unidos. Neste ano, o setor esperava uma recuperação das vendas e projetava exportar cerca de US$ 300 milhões para o mercado americano. Agora, porém, as empresas já trabalham para redirecionar parte da produção a mercados que foram desenvolvidos durante o tarifaço de 2025, como os países árabes, além de ampliar os embarques para a China.

O presidente da Abipesca, Eduardo Lobo, afirmou que o setor acompanha o cenário com apreensão, mas ressaltou que há mercados alternativos capazes de absorver parte da produção.

“Ou seja, existem alternativas além do mercado americano para os nossos produtos. Outros mercados foram abertos, e isso dá ao setor uma certa mobilidade. Esses mercados não remuneram da mesma forma que o mercado americano, mas não devemos ter uma desaceleração tão grande. Haverá, sim, um achatamento das margens.”

Os Estados Unidos também voltaram a ampliar as compras de calçados brasileiros. Segundo a entidade que representa o setor, o volume exportado em abril, de 843 mil pares, foi 40,5% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado.

Em outra frente, o governo brasileiro aguarda uma reunião, ainda nesta semana, com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para discutir as tarifas impostas ao país. A conversa ocorrerá no âmbito do grupo de trabalho que vinha tratando da investigação contra o Brasil na chamada Seção 301, que abrange temas como o PIX, o etanol e a proteção da propriedade intelectual.



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