Primeiro dia sem jogos na Copa deixa torcedores com sensação de vazio

A Copa do Mundo começou no mês passado e avançou julho adentro com uma maratona de jogos. Mas, com a competição chegando à reta final, muitos torcedores já se perguntam: e agora?
Sem escalação para discutir, sem grupo de WhatsApp comentando lance polêmico, sem compromisso marcado para assistir futebol…
A maior Copa da História começou em 11 de junho com 48 seleções, 12 grupos e um total de 104 jogos em 39 dias.
Com o avanço das fases eliminatórias, esta quarta-feira marca o primeiro dia sem nenhuma partida depois dessa maratona.
A final ocorre em menos de duas semanas e muitos torcedores já lembram com saudade da Copa do Mundo de 2026.
“É triste porque, na verdade, a gente acaba se encontrando e o que acontece? Mesmo o Brasil estando fora, igual eu, meu marido e meu filho, a gente estava assistindo os Estados Unidos e torcendo contra.”
“Eu já me vi torcendo para a Gana, para o Senegal, para várias seleções que eu não tenho relação, mas é muito legal isso e saber que agora está acabando me deixa chateado”.
“Eu fui jantar com meu namorado no dia dos namorados e ele simplesmente não largava o celular. Ele ficou assistindo ao jogo durante o jantar e isso me irritou um pouco, confesso.”
A eliminação do Brasil nas oitavas também aumentou a percepção de fim e afetou quem vive do movimento gerado pelos jogos.
Elisa Saraiva, dona do Requinte Vinho Bar, em São Paulo, diz que já não pode mais contar com a Copa do Mundo para atrair os clientes.
“No comércio mesmo, a gente não conta mais com isso administrativamente, assim, por exemplo, de um movimento maior. Então, aumentar o número de funcionários, aumentar o número de pedido de cerveja, de várias coisas, a gente já dá uma desacelerada, com certeza.”
A facilidade em assistir aos jogos pela televisão ou até pelo próprio celular é outro fator que influencia.
É o que explica o historiador e autor de uma série de livros sobre Copas do Mundo Nelson Neto. Ele destaca a evolução dos meios de transmissão e como isso modificou o nosso jeito de acompanhar futebol.
“Em 1934, por exemplo, foi a primeira transmissão de um jogo de futebol pelo rádio. Não foi nem para o Brasil o jogo do Brasil, jogou o Brasil e a Espanha, e a primeira transmissão de um jogo do Brasil pelo rádio foi para a Espanha. Quer dizer, é uma evolução muito difícil de imaginar, naquela época, ao grau que a gente tem hoje, né?
Porque o Brasil teve a primeira transmissão por TV, ao vivo, em 70. É um choque muito grande e a gente não imagina como é que pode ser ainda mais no futuro, né?”
Para os aficionados, a Copa não é apenas uma competição. Durante um mês, ela organiza a rotina.
Quando aparecem os primeiros dias sem jogos, é como se essa rotina começasse a desaparecer, como explica o presidente da Associação Paulista de Psicologia do Esporte, João Ricardo Cozac.
“Cada jogo representa uma nova expectativa, uma nova história, uma nova possibilidade de recompensa emocional, né? E com o passar dos dias, o cérebro praticamente espera por esse momento. E quando a Copa acaba, não é só o futebol que desaparece, é toda uma rotina emocional que havia sido construída ao longo daquele mês.
Isso costuma dar uma sensação de abstinência bastante marcante.”
Apesar da saudade antecipada, a Copa do Mundo ainda reserva os momentos mais decisivos.
A final será em Nova Jersey, nos Estados Unidos, no próximo dia 19, às quatro horas da tarde pelo horário de Brasília.



