Promotor que investiga PCC diz que não há indícios de relação dos sancionados pelos EUA com facção

Os alvos das medidas foram Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira e as empresas Victory Trading, Pixwave e Wave Construções Inteligentes. Segundo o governo americano, Shimada chefiava um núcleo do PCC em São Paulo e fazia a ligação com traficantes internacionais.
O governo americano apontou que o esquema movimentou mais de 30 milhões de dólares, usando criptomoedas para enviar os valores dos Estados Unidos ao Brasil.
Ele também é investigado por suspeita de participação em operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao caso VaideBet, que apura desvios de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas.
Stella foi acusada de atuar como intermediária na coleta de dinheiro e prestar apoio logístico ao esquema.
De acordo com o promotor do Ministério Público de São Paulo Lincoln Gakiya, que investiga o PCC há décadas, não há indícios de relação dos sancionados com a facção.
“Agora se por ventura o governo norte-americano através do FBI ou do Departamento de Estados ele tenha conseguido provas de ligação deste casal ou dessas empresas na lavagem de dinheiro de integrantes do PCC que atuam em Miami nos Estados Unidos a gente não tem essa informação porque não foi compartilhado nada conosco. Então aqui no caso do Ministério Público de São Paulo a gente não tem qualquer informação ligando esses dois indivíduos ao PCC.”
Esta foi a primeira rodada de sanções anunciada após o governo Trump ter classificado o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Para a Casa Branca, o PCC é a maior organização criminosa transnacional das Américas e uma ameaça crescente. O grupo é acusado de lavar dinheiro do tráfico principalmente no estado da Flórida.
O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, também comentou o anúncio do Departamento do Tesouro americano: disse que os Estados Unidos têm autonomia no combate ao crime, mas ressaltou o respeito ao ordenamento jurídico brasileiro.
A fala ocorreu justamente no dia em que foi inaugurado, em São Paulo, o Escritório Nacional Antifacção.
A estrutura será destinada a fortalecer a integração entre União, estados e municípios no enfrentamento ao crime organizado.
A defesa de Shimada afirmou que ainda não teve acesso à decisão. O advogado Yuri Cruz também disse que o cliente não tem qualquer envolvimento com o PCC. A defesa de Stella não foi encontrada.



